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domingo, 3 de novembro de 2013

John Carpenter's Halloween (1978)

"O Regresso do Mal" de John Carpenter com Donald Pleasence, Jamie Lee Curtis, Nancy Loomis, P.J.Soles, Kyle Richards, Brian Andrews, John Michael Graham, Nancy Stephens, Tony Moran, Nick Castle, Will Sandin, Sandy Johnson, Robert Phalen & Charles Cyphers.

1963. Haddonfield. Illinois. O pequeno Michael Myers (Will Sandin), de apenas 6 anos, assassina brutalmente a sua irmã mais velha Judith (Sandy Johnson) na noite de Halloween, sendo internado num hospício a cargo do psiquiatra Dr.Sam Loomis (Donald Pleasence). 1978. Hospício de Smith's Grove. Ignorando os avisos do psiquiatra, exigindo métodos de segurança mais apertados, o Director da Instituição Dr.Terence Wynn (Robert Phalen) deixa escapar a ameaça Michael Myers numa noite em que Loomis acompanhado da enfermeira Marion Chambers (Nancy Stephens) o levariam para uma consulta. Deduzindo que Myers retornará a casa, Loomis dirige-se para a pequena cidade de Haddonfield, atarefada com os preparativos para a noite de Halloween, entrando em contacto com o Xerife local, Leigh Brackett (Charles Cyphers) sobre a hipótese de ter um psicopata à solta. Entretanto, um trio de adolescentes constituído pela virginal e bem-comportada Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) e as devassas Annie Brackett (Nancy Loomis), a filha do Xerife e Lynda van der Klok (P.J.Soles) planeiam a noite mais longa do ano e enquanto Laurie actuará como a babysitter do pequeno Tommy Doyle (Brian Andrews), Annie e Lynda pretendem se divertir com os namorados, sem desconfiarem que um estranho vulto (Nick Castle) que as tem observado desde a tarde, se move por entre a escuridão da noite com o intuito de repetir o massacre perpetuado 15 anos antes...



Michael Myers aos 6 anos (Will Sandin)

Alfred Hitchcock iniciou o "slasher" com o clássico de culto tornado o seu maior êxito de bilheteiras "Psycho" ('60); os gialli de Mario Bava e Dario Argento estabeleceram o ambiente propício arrepiante e de mistério embalando a actuação de um assassino psicopata à solta 




e o êxito da produção canadiana "Black Christmas" ('74) de Bob Clark abriu definitivamente as portas ao sub-género nos E.U.A., faltando por assim dizer a derradeira obra que funcionasse como a Bíblia de um novo filão que seria imensamente explorado durante a década de 80. 



Dr.Sam Loomis (Donald Pleasence)

Pela mão do genial cineasta John Carpenter, vindo do sucesso-surpresa de "Assault on Precint 13" ('76), "Halloween" é o supremo filme-de-culto do sub-género e o expoente máximo do horror sentimentalão revitalizado em finais de 70,




Laurie Strode (Jamie Lee Curtis)

funcionando como uma homenagem aos clássicos, ao mesmo tempo que inova toda uma nova forma de fazer cinema de horror, 










Annie Brackett (Nancy Loomis) & P.J.Soles (Lynda van der Klok)

instituindo como imagem de marca a presença de um assassino silencioso que se move numa aura quase sobrenatural, na demanda inexplicável de perseguição e morte como se a encarnação do próprio Mal se tratasse. 







De produção independente e com um orçamento bastante abaixo da média, "Halloween" é um prodígio de direcção na criação do virtuoso e dinâmico trabalho de câmara, especialmente nas cenas vistas pelo ponto de vista do assassino, 



Michael Myers aos 21 anos (Nick Castle)

aliado a um sinistro e arrepiante ambiente recheado de suspense de cortar à faca, embalado por uma das mais emblemáticas trilhas sonoras alguma vez feitas para cinema, composta pelo próprio Carpenter, resultando num produto final inesquecível e aterrador e um absoluto marco do sub-género. 





Dr.Loomis & o Xerife Leigh Brackett (Charles Cyphers)



O guião de John Carpenter, que iniciava aqui uma parceria de sucesso com a co-autora e produtora Debra Hill, a sua namorada na altura, apesar de partir de uma premise simples é efectivo e bem estruturado, revelando muito pouco sobre os motivos que levam Myers a actuar, tornando-o assim muito mais assustador, factor que se foi perdendo ao longo das imensas sequelas. 




A cinematografia de Dean Cundey, filmado com parca ausência de luzes e com o recurso ao jogo de sombras que revelam Myers a surgir sorrateiramente algures da escuridão, é genial e em completa sintonia com o estado de espírito de fronteira com o irreal que Carpenter introduz na obra. 




O trabalho de edição de imagem de Charles Bornstein com o futuro realizador Tommy Lee Wallace (que se estrearia na direcção com "Halloween III - Season of the Witch" de '82) impõe um ritmo algo arrastado e lento, mas que funciona em pleno aqui, emancipando o fantástico ambiente e o angustiante suspense que envolvem por completo o espectador na acção.





O elenco repleto de actores da "entourage" de John Carpenter é liderado pelo veterano Donald Pleasence, depois da recusa de Peter Cushing e Christopher Lee, que foram as primeiras escolhas do realizador como forma de piscar o olho aos clássicos de horror da Hammer, 




culminando com o próprio Lee a admitir mais tarde que o não ter interpretado o psiquiatra, foi o seu maior arrependimento da longa carreira como actor.






Apesar do tempo em cena rondar somente os 18 minutos, Pleasence impõe-se com afinco na trama desempenhando o sinistro psiquiatra dedicado Dr.Sam Loomis (nome retirado ao personagem interpretado por John Gavin em "Psycho"), sendo a única pessoa ao longo do filme que nunca subestimou a maldade incontrolável que reside dentro de Michael Myers. 




A futura "Rainha do Grito" e actriz de sucesso Jamie Lee Curtis, filha do malogrado Tony Curtis e de Janet Leigh, uma das musas de Hitchcock que interpretou Marion Crane em "Psycho", estreia-se no cinema numa excelente performance como Laurie Strode, a frágil estudante tornada heroína, lutando pela própria sobrevivência enfrentando o Mal, criando a par com o assassino em série Michael Myers, um dos maiores personagens-ícones dentro deste sub-género. 





Charles Cyphers e Nancy Loomis, vindos de "Assault on Precint 13", interpretam respectivamente o Xerife Brackett e a filha, Annie e P.J.Soles, repete a personalidade extrovertida e algo devassa da sua Norma de "Carrie" ('76). 




A criança-actor Will Sandin dá vida a Michael Myers aos 6 anos, com as mãos de Debra Hill a serem usadas na sequência em que com a câmara na primeira pessoa, o pequeno assassina a irmã e o amigo pessoal de Carpenter, Nick Castle foi o escolhido para todas as cenas de Myers com a icónica máscara, sendo Tony Moran convocado para a cena final em que Laurie a retira durante o confronto.






É impossível enumerar a totalidade de influências que este pequeno grande filme de John Carpenter trouxe para o mundo do cinema, pois para além de Michael Myers ter sido a inspiração para futuros assassinos em série de franchises de sucesso como Jason Voorhees de "Friday the 13th" ou Freddy Krueger de "A Nightmare on Elm Street", 



todos os clichés presentes nos futuros "slashers" como a heroína virginal limpa e sóbria que escapa com vida e todos os adeptos da promiscuidade que bebem ou usam drogas a serem horrivelmente mortos ou dilacerados, tiveram a sua base aqui. 



A título de curiosidade, e apesar de ter sido o pioneiro no "slasher" conhecido pelas doses excessivas de violência e mortes, "Halloween" apresenta-nos uma escassez incomum de sangue ou gore, sendo a maioria mais sugerido do que realmente visto em ecrã. 




O primeiro filme de terror que os pequenos Lindsey e Tommy assistem pela televisão na noite de Halloween é não outro que o clássico de Howard Hawks - "The Thing from Another World" ('51), o qual Carpenter realizaria o remake em '82, considerado actualmente como uma das essenciais obras de ficção científica e horror da história, sendo o segundo filme exibido - "Forbidden Planet" dirigido por Fred Wilcox em '56 com Leslie Nielsen.








Do parco orçamento de 325 mil dólares investidos, "Halloween" facturou acima de 47 milhões em bilheteiras só nos E.U.A. com mais 70 milhões no resto do Mundo, tornando-o um dos filmes independentes mais rentáveis de sempre,




originando 7 sequelas (algumas delas bastante infelizes devido à ganância do produtor executivo Moustapha Akkad, o investidor inicial que ficou com os direitos de uso dos personagens); um bastante inferior remake dirigido por Rob Zombie em '07 e a sua sequela de '09.




Lindsey Wallace (Kyle Richards) & Tommy Doyle (Brian Andrews)

Em suma, "Halloween" é uma obra de mestre que funciona como um pesadelo nocturno num apanhado dos diversos mitos ou contos assustadores que pertencem ao folclore urbano e assombram gerações desde à décadas, 





invocando a entidade que aqui se move em forma humana, Boogeyman (ou "Bicho Papão") presente em diversas culturas pelo Mundo fora. 







Michael Myers (Tony Moran)

"John Carpenter's Halloween" é um filme de suspense e horror imprescindível que nunca deverá cair no esquecimento, sendo uma absoluta obra-prima dentro do género. Altamente recomendado !!










Género: Horror / Thriller. 

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 91 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=waTkW-UFyl4

Classificação: 10/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.

3 comentários:

  1. Teve o recorde de filme independente mais rentável de sempre até ao Blair Witch Project, do qual não sou apreciador. Apesar de quem há quem reclame que esse " titulo " pertenceu ao The Texas Chainsaw Massacre, mas o dinheiro das receitas nunca foi considerado na soma final, tendo em conta que a produção foi financiada por uma produtora de filmes pornogáficos e que envolveu dinheiro da Máfia etc. Uma grande review, a melhor até agora, dum verdadeiro clássico realizado pelo ( na minha opinião ) melhor realizador de cinema de todos os tempos ! O meu preferido, obviamente.

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    1. Também sempre achei o "Blair Witch Project" demasiado over-hyped, nunca me liguei muito com o filme e em qualidade / profundidade / factor "o que trouxe de novo ao cinema" ("Cannibal Holocaust" já tinha introduzido esse conceito 20 anos antes) deixa muito a desejar. O "Texas Chain Saw Massacre" apesar de ser também um favorito meu, simplesmente não tem aquele ambiente de um "Halloween", é muito bom à sua maneira e marcou uma época / geração, mas o Tobe Hooper não é um John Carpenter atrás da câmara.

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  2. Sim, só mencionei o TTCM em relação a rentibilidade e ao recorde de filme independente mais rentável. O TTCM é muito bom, mas claro, não é o Halloween, nem eu disse que era, muito menos disse que o Tobe Hooper é um Carpenter. Nenhum é ! :)

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