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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Moby Dick (1956)

"Moby Dick" de John Huston com Gregory Peck, Richard Basehart, Leo Genn, Friedrich Ledebur, Harry Andrews, Bernard Miles, Francis De Wolff, James Robertson Justice, Royal Dano & Orson Welles.

Em 1841, o jovem Ishmael (Richard Basehart) chega à cidade de New Bedford com o intuito de embarcar num navio e viver a aventura dos mares na caça às baleias. Fazendo amizade com o indígena e exímio arpoador Queequeg (Friedrich Ledebur) alistam-se no Pequod comandado pelo misterioso Capitão Ahab (Gregory Peck), um velho lobo-do-mar obcecado pela caça à temível baleia branca que lhe arrancou uma perna conhecida como "Moby Dick". A obsessão de Ahab irá amaldiçoar o navio, levando toda a tripulação a uma perseguição sem tréguas à baleia que culminará num dos mais catastróficos naufrágios da história da navegação marítima...






Ishmael chega a New Bedford


Adaptado do clássico romance de Herman Melville e dirigido por John Huston ("The Treasure of the Sierra Madre" de '48), "Moby Dick" é um épico de aventuras realizado no apogeu do género na segunda metade dos anos 50. 









Queequeg (Friedrich Ledebur)

Partindo de um incrível argumento de Ray Bradbury (em parceria com o próprio Huston) que tiveram a difícil tarefa de adaptar o extenso livro de modo a que funcionasse em filme de longa-metragem, excluindo certas partes que dificilmente funcionariam no ecrã (grande parte da narrativa é sobre biologia marítima e o ofício dos baleeiros), centrando-se mais na obsessão auto-destrutiva do Capitão Ahab em destruir o seu monstruoso inimigo. 



Ahab (Gregory Peck)


Uma das menos-valias do argumento de Bradbury é que reduz o narrador e personagem principal de Ishmael de um secundário a quase um extra a partir do final do II Acto, focando somente a demanda insana de Ahab protagonizado por um grande Gregory Peck, cuja performance foi alvo de severas críticas.













Ahab seduz a tripulação do Pequod na sua demanda

É certo que Peck aos 38 anos de idade ainda não possuía dentro de si a maturidade de interpretação necessária para dar vida a um personagem cerca de 20 anos mais velho e sente-se a falta dessa suposta experiência de décadas no mar na sua performance no ecrã. Mas nem de longe Peck falha em entregar-nos um Ahab competente, apesar dos entraves referidos e da direcção de Huston para o seu personagem não ter sido das melhores.







Starbuck (Leo Genn) & Ahab


Alguns dos seus monólogos (muitos deles retirados na íntegra do romance original) são de ouro e magistralmente entoados por Peck ("Eu lutaria contra o próprio Sol se ele me desrespeitasse", a título de exemplo). 











Ishmael (Richard Basehart)

Richard Basehart, ironicamente 2 anos mais velho que Peck interpreta aqui o jovem Ishmael na casa dos 20 de modo competente e Leo Genn é o Primeiro Imediato Starbuck, a consciência e o único juízo no Pequod cuja tripulação influenciada pelo seu insano Capitão o seguem para a morte na sua demanda pessoal. 










Padre Mapple (Orson Welles)

A destacar também os cameos do lendário Orson Welles como o Pároco da vila, o seu sermão é algo de extraordinário e apesar do pouco tempo em cena deixa a sua marca no filme e Royal Dano como Elijah, o pregador que tenta avisar Ishmael e Queequeg da loucura de Ahab em dois minutos memoráveis.









Elijah (Royal Dano)

A cinematografia é impressionante e obscura com a escolha da côr em tons de sépia que emancipa a vertente clássica do filme, bem como cria a atmosfera sinistra desejada com que seguimos a embarcação amaldiçoada de encontro ao seu destino fatal. 










Moby Dick



Os efeitos especiais não muito bem conseguidos devido a serem difíceis de concretizar com o realismo necessário para a época são disfarçados pelos diversos cortes rápidos na montagem, mas "Moby Dick" acaba por vencer pela tensão crescente que nos é imposta desde o I Acto até ao confronto final. 








Certos planos de câmara de Huston são demasiado perto ou em "close-up" retirando um pouco à credibilidade da batalha no mar (certas sequências foram mesmo filmadas em estúdio). Um uso de panorâmica podia ter dado a "Moby Dick" um visual mais portentoso e de certo modo mais épico. 









Ahab contra a Baleia Branca
Em suma, com todos os seus prós e contras, "Moby Dick" é inegavelmente a melhor adaptação ao cinema da obra de Melville até à data, um grandioso filme de aventuras pelos mares funcionado como uma viagem psicológica à mente de um homem que, como as sereias de Homero, seduz a sua tripulação ao encontro da morte, numa demanda pessoal contra um "monstro" que mais não é que um ser vivo que ousa enfrentar o homem para escapar ao seu destino mortal.






Recomendado para fãs de filmes épicos mais realistas dos anos 50, pois "Moby Dick" é servido de uma fabulosa reconstituição da época, desde o guarda-roupa ao treino do conjunto de actores que agem como se verdadeiros marinheiros e baleeiros se tratassem e sobretudo para apreciadores do romance de Melville em si, um dos maiores clássicos da literatura mundial. 

Género: Aventura / Drama.

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 116 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=l_ibjoSB6Xs

Classificação: 9/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.





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