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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

An Alan Smithee Film - Burn Hollywood Burn (1997)

"Um Realizador de Respeito" de Alan Smithee (Arthur Hiller) com Ryan O'Neal, Eric Idle, Coolio, Chuck D., Richard Jeni, Leslie Stefanson, Sandra Bernhard, Cherie Lunghi, Harvey Weinstein, Stephen Tobolowsky, Naomi Campbell, Robert Evans, Robert Shapiro, Shane Black, Joe Eszterhas, Larry King, Peter Bart, Dominick Dunne, Billy Barty, Billy Bob Thornton, Victor Drai, Norman Jewison, Alan Smith, Jackie Chan, Whoopi Goldberg & Sylvester Stallone.

O realizador inglês Alan Smithee (Eric Idle) é contratado para dirigir "Trio", uma super-produção do cinema de acção com um orçamento superior a 200 milhões de dólares, juntando pela primeira vez Whoopi Goldberg, Jackie Chan e Sylvester Stallone em longa-metragem. Com as várias interferências do elenco e dos gananciosos produtores James Edmunds (Ryan O'Neal) e Jerry Glover (Richard Jeni) que pretendem editar o filme à maneira deles, Smithee que obviamente não pode usar o pseudónimo habitual de Alan Smithee como forma de renegar a obra da sua filmografia, tem um esgotamento nervoso e desaparece com a bobina do filme, tornando-se o mais procurado pela Indústria que pretende lançar "Trio" dentro de poucas semanas...



Eric Idle como Alan Smithee

Sátira ao mundo de Hollywood filmado em jeito de documentário falso, "Burn Hollywood Burn" é o perfeito exemplo de quando um filme corre tão mal que nada o pode salvar na descida vertiginosa em direcção ao precipício. 






Cameo de Joe Eszterhas (produtor / guionista) & Arthur Hiller (realizador)



O argumento de Joe Eszterhas (autor de "Jagged Edge" de '85 ou "Basic Instinct" de '92) tenta entrar no mesmo Universo de crítica corrosiva ao sistema da meca do cinema magistralmente descrito em "The Player" ('92) de Robert Altman, 




Cameo de Sylvester Stallone




mas o resultado é um apanhado de sketches sem qualquer tipo de inspiração ou piada com actores, realizadores, argumentistas e produtores famosos de Hollywood a parodiarem-se a eles mesmos, caindo mais no profundo ridículo do que na astuta auto-crítica. 






A montagem é terrível, apresentando-nos uma obra em formato videoclip que se esforça demasiado em parecer criativa, mas falha redondamente no alvo, arrastando o filme por um rol de situações pouco interessantes que ao fim da primeira meia hora já se implora pelo final. 






Ryan O'Neal como James Edmunds

Os actores escolhidos a dedo para os papéis resumem-se a ex-actores principais caídos em desgraça comercial pela altura que o filme foi feito como é o caso de Ryan O'Neal, Whoopi Goldberg e Sylvester Stallone, que não tinha um êxito desde "Cliffhanger" ('93) 




Cameo de Jackie Chan



e tirando Richard Jeni e Eric Idle, ex-Monty Python, que entrega uma performance exagerada e caricatural como é o seu costume, esta obra é a prova concreta porque realizadores, argumentistas e produtores devem-se limitar aos seus serviços por detrás das câmaras e não tentarem serem actores. 





Chuck D. & Coolio como os Irmãos Brothers




Jackie Chan limita-se a cumprir com o estereótipo de um oriental em Hollywood e a adição de Chuck D. e Coolio como o duo de realizadores rappers: os Irmãos Brothers (mais uma tentativa de piada foleira) numa suposta paródia aos realizadores afro-americanos, afundam ainda mais o filme ao ponto do insuportável. 





A maior ironia de "Burn Hollywood Burn" é que a vida real acabou por imitar a "arte" quando o veterano realizador Arthur Hiller ("Love Story" de '70 ou "Author! Author!" de '82), descontente com a montagem final do filme de Eszterhas e dos produtores, optou por tirar o seu nome dos créditos iniciais usando o mesmo "Alan Smithee" (pseudónimo em Hollywood para quando um realizador renega o próprio filme) do qual a trama se baseia. 




Cameo de Whoopi Goldberg

Com um orçamento de 10 milhões dólares, "Burn Hollywood Burn" acabaria por ter uma estreia limitada em cinema, rendendo somente escassos 50 mil dólares, tornando-se um dos maiores falhanços críticos e comerciais da década. 







Joe Eszterhas tornou-se a primeira pessoa da história a ganhar 4 Razzies por um mesmo filme, vencendo nas categorias de: produção - Pior Filme do Ano; Pior Argumento; Pior Actor Secundário e Pior Estreia em Cinema. 






Sylvester Stallone foi também nomeado para Pior Actor Secundário. Eric Idle recusou-se a promover o filme, alegando ser a pior longa-metragem em que já participou.








Em suma, "Burn Hollywood Burn" é um autêntico desastre de filme que nem no estigma do "tão mau que se torna bom" encontra um lugar na Sétima Arte. 









Recomendado apenas como fonte de curiosidade a um espectador que se interesse pelos supremos maus filmes legítimos ou que seja coleccionista do estilo documental em que actores famosos se interpretam a eles próprios, porque de resto é uma autêntica perda de tempo...



Género: Comédia / Documentário. 

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 86 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=1cn9ePSf2xI

Classificação: 3/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.

sábado, 20 de abril de 2013

Backtrack a.k.a. Catchfire (1990)

"Testemunha Involuntária" de Alan Smithee com Jodie Foster, Dennis Hopper, Dean Stockwell, Joe Pesci, John Turturro, Fred Ward, Charlie Sheen, Catherine Keener, Tony Sirico, Julie Adams, Sy Richardson, Bob Dylan, Alex Cox & Vincent Price.

Anne Benton (Jodie Foster), uma artista plástica testemunha um assassinato perpetuado por um Chefe da Mafia, Leo Carelli (Joe Pesci). Pauling (Fred Ward), o Promotor Público força-a a testemunhar contra a Máfia prometendo-lhe uma nova identidade e residência, mas logo na primeira noite o seu namorado Bob (Charlie Sheen) é morto por um dos homens de Carelli, o jovem Pinella (John Turturro) que pretende impressionar o Chefe. Anne desesperada foge para o México, deixando a Polícia desorientada à sua procura, bem como "Don" Avoca (Vincent Price) que contrata um especialista do ramo, o pomposo Milo (Dennis Hopper) para a silenciar. Só que Milo revela-se um assassino contratado bastante sensível e apaixona-se pela sua presa e chegando a altura de a matar, propõe-lhe um estranho trato...



Charlie Sheen & Jodie Foster


"Backtrack" (ou "Catchfire) é o supremo mau filme que passou por tantas peripécias que foi quase um milagre ter sido lançado. Filmado em '86 só estreou 4 anos depois com uma tão má recepção de público e crítica que passou directamente para vídeo. 









Anne Benton (Jodie Foster)

Um dos principais problemas é que estúdio e realizador tinham conceitos diferentes sobre a direcção que deviam dar à obra. O realizador Dennis Hopper começou por filmar o argumento de Rachel Kronstadt Mann já por si um pouco inverosímil e demasiado batido, quando o argumentista inglês Alex Cox 




"Don" Avoca (Vincent Price) & Milo (Dennis Hopper) 

(que dirigiu os filmes-de-culto "Repo Man" de '84 e "Sid & Nancy de '86) foi trazido a bordo para aligeirar o conteúdo e dar o seu toque de comédia negra característico dos seus anteriores trabalhos. De um crime / thriller "neo-noir" passou a humor negro sem um fio condutor competente que conseguisse encaixar ambos os géneros. 





Pinella (John Turturro)



Com o filme concluído, Hopper apresentou a sua versão de 180 minutos de filme ao estúdio, que achando-o demasiado longo e arrastado editou-o para cerca de 90 minutos sem informar o realizador. 







Hopper quando descobriu a alteração, processou o estúdio e obrigou-os a retirarem o seu nome dos créditos como realizador passando a Alan Smithee (pseudónimo famoso em Hollywood usado quando um realizador não aprova o produto final devido a demasiada interferência do estúdio ou produtores). 





Com toda a batalha judicial, "Catchfire" esteve guardado na prateleira durante anos e só viu a luz do dia devido ao sucesso emergente de Jodie Foster então galardoada com o Oscar de Melhor Actriz Secundária em '89 pelo filme "The Accused". 






Catherine Keener & Jodie Foster



É difícil saber ao certo quantas versões diferentes deste filme existem, em certos mercados internacionais é conhecido como "Catchfire", noutros por Backtrack e a sua duração alterna entre os 180 minutos (versão original entretanto lançada muito mais tarde), 116 minutos (versão do realizador Dennis Hopper em que assina o seu nome nos créditos como realizador) e ainda duas de 98 minutos (cada qual com título e créditos diferentes).




O resultado de todo o espalhafato levou certos actores a removerem os seus nomes dos créditos iniciais como Joe Pesci e Charlie Sheen que baniram o filme das suas respectivas carreiras. Destaque para um cameo do músico Bob Dylan e uma pequena participação da actriz Catherine Keener, num dos seus primeiros papéis.





Bob Dylan

A versão mais longa é mais difícil de passar sobre ela do que uma árdua caminhada pelo deserto, mas pelo menos o enredo faz algum sentido, ao contrário da versão mais curta que devido aos imensos cortes, muitas das cenas na história não têm nexo nas motivações dos seus personagens e certos actores proeminentes nos créditos iniciais mal aparecem no filme como é o caso do lendário Vincent Price. 






Dennis Hopper exagera tanto no seu papel que se torna caricatural e risível, tornando-se assim puro entretenimento segui-lo; Jodie Foster surpreende-nos com duas cenas de nudez no papel mais "sexy" da sua carreira e definitivamente no seu auge da beleza; 





Leo Carelli (Joe Pesci)

Joe Pesci, como é o seu costume, está hilariante como o nervoso e violento Chefe da Máfia num personagem pré-"Goodfellas" que lhe daria o Oscar de Melhor Actor Secundário em '91 e "Casino" ('95); Fred Ward parece envergonhado de actuar no filme e finalmente, Charlie Sheen com apenas duas cenas na pele de um personagem mais inútil que um guarda-chuva num dia de sol, carrega a expressão de "o que eu faço aqui?" até ser morto e desaparecer da trama.






Em suma, "Catchfire" (ou "Backtrack") é uma completa trapalhada sem sentido nenhum e que devido a tudo porque passou até se torna apelativo como charme do série-B, mas nem é caso para dizer que "é tão mau que se torna bom", o melhor seria "o que faz um grande elenco como este nesta grande porcaria de filme?"...



Género: Crime / Comédia / Romance / Thriller.

Fotografia: Côr

País: E.U.A.

Duração: 98 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=TqYyuNBWQQQ

Classificação: 4/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.
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