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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Damien - Omen II (1978)

"A Maldição" de Don Taylor (& Mike Hodges) com William Holden, Lee Grant, Jonathan Scott-Taylor, Lucas Donat, Robert Foxworth, Nicholas Pryor, Lew Ayres, Sylvia Sidney, Lance Henriksen, Elizabeth Shepherd, Allan Arbus, Meshach Taylor, Harvey Stephens, Ian Hendry & Leo McKern.

Sete anos depois dos eventos do primeiro filme, o anticristo Damien Thorn (Jonathan Scott-Taylor) é agora um adolescente a viver em casa do tio Richard (William Holden) e da sua segunda mulher, Ann (Lee Grant) tendo como companheiro inseparável o primo da mesma idade, Mark (Lucas Donat) sendo ambos cadetes no Colégio Militar. Com a chegada do enigmático Sargento Neff (Lance Henriksen), Damien toma consciência da razão porque veio ao Mundo, começando a cobiçar a liderança das Indústrias Thorn, para assim ir ganhando poder até ao topo, eliminando todos os que se atravessam no seu caminho. Ignorando os avisos de terceiros como os da fotógrafa Joan Hart (Elizabeth Shepherd), amiga e colega de Jennings do filme anterior e do curador Charles Warren (Nicholas Pryor), que acabam por morrer em circunstâncias estranhas, sobre a proveniência de Damien, Richard só se começa aperceber de que algo aterrador ameaça a sua família quando encontra o filho Mark morto, iniciando assim uma investigação a fundo sobre o que levou o seu irmão Robert, aparentemente enlouquecido, a tentar assassinar a criança por intermédio de uns punhais sagrados, contrariando a própria esposa Ann que parece obstinada em ilibar Damien de todos os males...




Na senda do grande êxito do "The Omen" ('76), vencedor de 1 Oscar para a Melhor Trilha Sonora Original, a 20th Century Fox deu luz verde para uma sequela, 







Jonathan Scott-Taylor como Damien Thorn


focando-se desta vez na adolescência de Damien Thorn, a criança nascida com a marca 666, o número da Besta, escondida debaixo do farto cabelo negro e destinada a governar o Mundo como o filho de Satanás. 








Richard & Ann Thorn (William Holden & Lee Grant)

Inicialmente dirigido por Mike Hodges ("Get Carter" de '71), depois do realizador da obra original, Richard Donner, declinar a cadeira do realizador pelo motivo de estar ocupado com "Superman - The Movie" ('78), 





Damien & Mark Thorn (Lucas Donat)

este foi afastado pelo produtor da saga, Harvey Bernhard, devido à abordagem mais artística e métodos de filmagens mais lentos, em contraste com a avidez do produtor e do Estúdio de lançarem uma rápida sequela que evidenciasse mais o factor horror de entretenimento em prol de uma obra mais ambiental mergulhada num clima sinistro característico do anterior. 




Joan Hart (Elizabeth Shepherd)

O ex-actor tornado realizador Don Taylor, foi o convocado em modo tarefeiro para substituir Hodges e concluir o filme, cuja história foi escrita pelo próprio produtor Harvey Bernhard depois de o escritor do "The Omen", David Seltzer, recusar se envolver numa sequela. 





William Holden, que recusara anteriormente o papel de Robert Thorn (entregue posteriormente a Gregory Peck), devido a não querer se envolver num filme sobre o Diabo, aceitou sem pestanejar o personagem Richard Thorn que aqui divide o ecrã com a actriz Lee Grant, ainda fresca do seu Oscar de Melhor Actriz Secundária por "Shampoo" ('75). 





Jonathan Scott-Taylor, então com 15 anos apesar de interpretar um Damien de 12, sucede a Harvey Stephens na pele do Anticristo e mesmo não sendo tão memorável, o seu desempenho é forte e inquietante o suficiente para causar um certo desconforto no espectador, especialmente no olhar diabólico e na interpretação coesa em total controlo sobre o personagem. 



A realçar que uma das mais-valias da trilogia original "The Omen" residiu no facto da excelente escolha de elenco para os 3 actores que deram vida a Damien Thorn nas 3 fases diferentes da sua vida. 



Leo McKern como Carl Bugenhagen


No capítulo dos secundários, destacam-se o veterano Leo McKern que retorna, novamente sem ser creditado, ao pequeno papel de Carl Bugenhagen, o detentor das facas de Megido, as únicas armas do Mundo que podem matar Damien Thorn 




Lance Henriksen como o Sargento Neff

e o sempre efectivo e enigmático Lance Henriksen, num dos seus primeiros papéis de relevo, interpreta o Sargento Neff, um dos discípulos de Satã que a par com a ama Mrs.Baylock do antecessor, irá zelar pelo crescimento e iniciação de Damien para a sua missão na Terra.




"Damien - Omen II" não possui a mesma profundidade de guião (muito devido à excelência do original ter explorado a fundo todas as vertentes da história), nem tão pouco a preocupação em criar o mesmo tipo de clima sinistro,





limitando-se a repetir uma mesma fórmula, com William Holden e Lee Grant quase como clones de Gregory Peck e Lee Remick, mas carecendo do mesmo tipo de desenvolvimento de personagens, e o filme a preocupar-se mais na parte técnica de encenação das mortes, como se tentassem ultrapassar a custo a memorável sequência encenada por Donner da morte do paparazzo Jennings, do que propriamente introduzir algo de novo ou criativo no conjunto. 













A presença do corvo negro, o sinal de mau presságio para as futuras vítimas, é um óbvio piscar de olho ao clássico "The Birds" ('63) de Alfred Hitchcock (usando inclusive Ray Berwick, o mesmo treinador / tratador) assim como toda a sequência da morte da personagem Joan Hart. 




A história tem incongruências que não fazem sentido e introduz alguns artifícios gratuitos pelo meio e o III Acto é-nos apresentado demasiado à pressa até ao brusco clímax, como se o orçamento ou a data limite para o término das filmagens tivessem acabado ali e a montagem deixa também muito a desejar em relação à mestria do anterior. 




Contudo, a parte técnica dos efeitos visuais e de caracterização é muito boa para a altura, mantendo-se intocável nos dias de hoje e o filme contém algumas cenas fortes a nível de encenação, como o confronto dos primos Damien e Mark, muito bem interpretado pelos jovens actores Jonathan Scott-Taylor e Lucas Donat. 




Em suma, "Damien - Omen II" não é uma má sequela e tem os seus momentos de tensão, embora seja demasiado rebuscada para o seu próprio bem. Caso David Seltzer tivesse acedido a escrever ele o guião que se situaria no dia seguinte ao funeral de Robert e Katherine Thorn e com o pequeno Damien a viver na Casa Branca, 





quem sabe que rumo teria dado à franchise, mas apreciando esta obra como um todo, é uma sequela mais a altura em relação à fonte do que a do seu concorrente directo "The Exorcist II" ('77). Recomendado a fãs da temática e da franchise!!




Género: Horror / Thriller / Mistério / Drama. 

Fotografia: Côr.

País: Inglaterra / E.U.A.

Duração: 107 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=udTBideIP-0

Classificação: 8/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

The Omen (1976)

"O Génio do Mal" de Richard Donner com Gregory Peck, Lee Remick, Harvey Stephens, David Warner, Billie Whitelaw, Patrick Troughton, Martin Benson, Holly Palance & Leo McKern.

Quando o Embaixador Americano em Roma, Robert Thorn (Gregory Peck) recebe no hospital a notícia do Padre Spiletto (Martin Benson) que a sua mulher Katherine (Lee Remick) deu à luz um primogénito morto, é-lhe dada a chance de adoptar um bebé de mãe desconhecida, nascido à mesma hora, como forma de aliviar a tragédia. Omitindo a troca da mulher, Robert é destacado nas suas funções para Londres, iniciando uma vida feliz a três. Tudo muda, quando no quinto aniversário do pequeno Damien Thorn (Harvey Stephens), a sua ama (Holly Palance) se suicida em circunstâncias estranhas. Ao mesmo tempo que uma misteriosa mulher Mrs.Baylock (Billie Whitelaw) se apresenta ao serviço como a nova ama de Damien, um alucinado padre de nome Brennan (Patrick Troughton) começa a perseguir o Embaixador com mensagens Bíblicas sobre o Apocalipse e o nascimento do Anticristo que irá reinar na Terra. Julgando-o louco, Robert ignora-o, mas quando diversos incidentes fora do normal começam a assolar a sua harmonia familiar e um paparazzo, Jennings (David Warner) o procura para o confrontar sobre a proveniência de algo sobrenatural nas fotografias que tirou a quem convive com o Embaixador, este inicia uma investigação a fundo sobre a conspiração que está por detrás do nascimento da criança e a sua razão de vir ao Mundo...



À 6ª hora, do 6º dia, do 6º mês...

Roman Polanski abriu a polémica do tema com o clássico "Rosemary's Baby" ('68); o grande sucesso do "The Exorcist" ('73) de William Friedkin, apresentado em modo de choque para as audiências da altura, confirmou que os dramas de horror em torno da premise do Diabo, 



Gregory Peck como o Embaixador Robert Thorn

seriam um novo filão a explorar no mundo do cinema, especialmente na entrada para os anos 70 em que o género tomaria um rumo mais sério e pesadão.








Lee Remick como Katherine Thorn



Richard Donner, aqui na sua terceira longa-metragem para cinema, une o melhor de ambos os filmes e apresenta-nos "The Omen", um extraordinário thriller de suspense, segundo um criativo e dinâmico guião de David Seltzer abordando o tema do nascimento do Anticristo na Terra como profetizado na Bíblia, na pele do aparentemente inocente, Damien Thorn. 






Harvey Stephens como Damien Thorn

O estilo visual de Donner co-adjuvado pelo cinematógrafo Gilbert Taylor, transmite um ambiente arrepiante único de inquietação num pendor mais Euro-Horror do que americano, 







Patrick Troughton como Padre Brennan

injectando um clima de mistério e algo surrealista, sem nunca recorrerem a estratégias baratas de transformarem um drama sério em mais um filme de terror exagerado e caricatural, limitando ao mínimo a presença do sobrenatural na película, para que assim Damien seja visto como uma ameaça humana. 





O extraordinário elenco cumpre com performances em completa sintonia com o tom da película, destacando-se o sempre sóbrio Gregory Peck, num papel algo semelhante ao seu de "Cape Fear" ('62) um clássico sobre a paranóia urbana com Robert Mitchum na pele da ameaça, 




que assume a protagonização como o atormentado Embaixador Robert Thorn, depois de William Holden recusar o papel devido à controvérsia do tema, acabando por mudar de ideias após o sucesso do filme e participar na sequela. 




Billie Whitelaw como Mrs.Baylock

Lee Remick está muito bem como a esposa dedicada ao marido e a perfeita dona de casa que começa a sentir que algo não está certo em relação ao comportamento do filho, mas é devido aos secundários Billie Whitelaw como a "ama do inferno" e o pequeno Harvey Stephens de 5 anos como Damien Thorn que "The Omen" deixa a sua marca profunda, criando dois dos personagens mais assustadores da história do cinema de horror. 




Donner & Taylor filmam com mestria por intermédio de "close-ups" e através da parca iluminação e do recurso a sombras, as feições peculiares da actriz inglesa que nos entrega um performance que tanto tem de decidida e intimidante como de envolvente e assustadora. 




Holly Palance como a primeira ama de Damien

Os artifícios usados por Donner para extrair do pequeno Harvey Stephens a sua subtil, mas diabólica interpretação, é direcção de actores no seu melhor e é notório aqui a razão do sucesso da carreira posterior do realizador. 







Holly Palance, a filha do malogrado actor de personagens-tipo Jack Palance, participa num pequeno papel como a primeira ama de Damien, cujo seu trágico final é um dos momentos mais empolgantes do filme. 





Destaque para todo o exímio trabalho dos treinadores e tratadores dos animais no "set" (ambas as sequências em que Katherine Thorn leva o pequeno Damien ao Zoo e Robert Thorn com Jennings no velho cemitério cercados pelos cães do inferno são geniais) 







e a mestria na encenação de Donner, especialmente na famosa cena de decapitação do paparazzo Jennings, interpretado pelo inglês David Warner, 






que envolveu o recurso a 5 câmaras em simultâneo e pelas maravilhas da edição de imagem, foi transposto para o ecrã uma das mais inesquecíveis e assombrosas mortes em cena de sempre, cujo próprio Warner se recusou a assistir, devido à vertente demasiado realista da coisa. 




Por último, mas não menos importante, a fabulosa e portentosa trilha sonora de Jerry Goldsmith, que venceu o único Oscar de 17 nomeações, oferece-nos a melodia sinistra perfeita para encaixar no estado de espírito do filme, cujo grande sucesso do mesmo se deve em grande parte à composição musical deste grande maestro bastante subestimado pela Academia. 





"The Omen" foi um estrondoso êxito de bilheteiras em '76, tornando-se o quinto filme mais popular do ano e o maior sucesso até à data do Estúdio 20th Century Fox que produziu mais duas, embora não tão bem sucedidas, sequelas. Foi nomeado em '77 para diversos prémios, incluindo o Golden Globe de Melhor Estreia em Cinema para Harvey Stephens e o BAFTA de Melhor Actriz Secundária para Billie Whitelaw.













Em suma, "The Omen" é uma obra dantesca, visualmente impressionante e inteligentemente contida, proporcionando um filme pesado, mas apelativo ao mesmo tempo, sem nunca entrar demasiado em divagações profundas que possam aludir ou questionar dogmas, prejudicando assim o ritmo e o lado de entretenimento do filme. 



Um dos melhores filmes de terror e suspense já feitos que deu origem, e para além das duas sequelas directas e o telefilme "Omen IV - The Awakening" ('91), a um desastroso remake em '06 que deve ser evitado como a Peste Negra...



Género: Horror / Mistério / Thriller / Drama. 

Fotografia: Côr.

País: Inglaterra / E.U.A.

Duração: 111 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=vVK42hD9IaY

Classificação: 10/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.
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