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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

The Hand That Rocks the Cradle (1992)

"A Mão Que Embala o Berço" de Curtis Hanson com Annabella Sciorra, Rebecca De Mornay, Ernie Hudson, Matt McCoy, Madeline Zima, John de Lancie, Kevin Skousen & Julianne Moore.

A botânica Claire Bartel (Annabella Sciorra) está grávida do segundo filho, vivendo com o marido Michael (Matt McCoy) e a filha de 6 anos, Emma (Madeline Zima) numa bonita casa em Seattle, ajudando o deficiente mental Solomon (Ernie Hudson), vindo do Centro Better Day, arranjando-lhe trabalho para construir uma cerca para o jardim. Quando o seu ginecologista se retira, Claire é examinada por um novo médico, Victor Mott (John de Lancie) que irá ser pai do primeiro filho em breve, mas durante a consulta ela sente que o doutor a toca de uma maneira não-profissional. Chegada a casa e seguindo os conselhos do marido, Claire processa o Dr.Mott por assédio sexual, o que leva a que outras pacientes lhe sigam os passos, acabando assim com a carreira profissional do ginecologista que se suicida antes do julgamento. Com os bens congelados devido ao processo e ainda abalada com a perda recente do marido, Mrs.Mott (Rebecca De Mornay) sofre um aborto espontâneo, perdendo assim o bebé, culpando Claire Bartel por todos os seus infortúnios. Seis meses depois e com o novo bebé Joe em casa, Claire, pretendendo construir uma estufa, contrata os serviços de uma simpática ama que se apresenta como Peyton Flanders, mas por detrás do rosto sorridente e angelical esconde-se um anjo vingador, disposta a tudo para destruir a vida da mulher que lhe retirou tudo o que mais amava...




Excelente thriller psicológico asfixiante dirigido por Curtis Hanson (vencedor de 1 Oscar para Melhor Argumento Adaptado pelo posterior "L.A. Confidential" de '97, do qual foi também nomeado para Melhor Realizador) sobre uma inteligente e criativa história de Amanda Silver, que fazia aqui a sua estreia como guionista, 





"The Hand That Rocks the Cradle" é um filme intenso, repleto de situações bem encenadas em ritmo frenético (bom trabalho de montagem de John F.Link), cativando o espectador totalmente imerso na sua narrativa. 







A direcção confiante de Hanson é inovadora e exemplar, seja no efectivo controle sobre a manipulação presente na trama, no suspense criado e muito especialmente, na soberba direcção dos seus actores, ajudando assim a ultrapassar certas implausibilidades do enredo. 






As interpretações são de topo, destacando-se uma magnífica e angelical Rebecca De Mornay que esconde um autêntico demónio dentro de si, na pele da vil, fria, calculista e sobretudo, manipuladora Peyton. Desde o primeiro encontro com Claire Bartel, de quem pretende se vingar destituindo-a do trono da mulher da casa, 





numa memorável sequência em que surge na estrada em frente ao autocarro escolar, Peyton insinua-se pelo lar dos Bartel (e pela mente do espectador adentro) com uma malevolência que tanto tem de inquietante, como de fascinante. 








O uso da cruel, mas refinada psicologia (muitas vezes ajudada pelo acaso) com a qual afasta a mulher das crianças e consequentemente do próprio marido é bastante bem construído do grande trabalho conjunto da actriz com o realizador. 





Annabella Sciorra está muito bem como Claire cuja ingenuidade despoletou toda a acção do filme, com as cenas dos seus aflitivos ataques de asma a serem bastante credíveis e saindo-se no geral dignamente, interpretando uma personagem que em nada a favorece. 






Julianne Moore, que aqui surge ainda num papel secundário, rouba qualquer cena em que aparece na pele da elegante, enérgica, feminista e desconfiada Marlene Craven, a melhor amiga do casal Bartel. A sua picardia com Rebecca De Mornay vai subindo de tom até ao aguardado embate final entre os dois personagens, culminando no final trágico de um deles. 





Notável também o trabalho do subaproveitado Ernie Hudson como o débil mental, especialmente na sequência em que é ameaçado por Rebecca De Mornay. 











Matt McCoy acaba por ser a menos-valia de um grande elenco, numa performance que nunca levanta voo, limitando-se a cumprir de modo tarefeiro a parte do marido yuppie, mas fiel que trava qualquer avanço da belíssima e sexy babysitter que dorme no andar de baixo.





Sendo ele próprio um acérrimo fã de Alfred Hitchcock, Curtis Hanson constrói a sua intriga piscando o olho às obras do Mestre, seja através da presença da femme fatale loira ou do ambiente sinistro criado com todas artimanhas sujas e manipulativas de Rebecca De Mornay a acontecerem durante a luz do dia, usando a casa como pano de fundo e o jardim como instrumento da sua vingança.




E como nem tudo são rosas, uma obra que poderia se ter tornado notável na ressurreição do filme negro, é completamente retalhada pelo típico, formulaico e pouco imaginativo clímax, parecendo saído de um básico "horror slasher" que quase arruína toda a experiência vivida. 




O ideal é o espectador esquecer os últimos 10 minutos de filme e construir através da sua própria imaginação um final à altura, sobretudo se começou a simpatizar com a conturbada personagem de Peyton (que no fundo detém uma certa razão para os seus actos, embora o filme deixe isso ambíguo) 





e a embirrar com o demasiado bem-comportado e politicamente correcto casal que no fundo têm os seus próprios telhados de vidro. 









"The Hand That Rocks the Cradle" tornou-se o sucesso-surpresa de '92, gerando um rol de imitações baratas ao longo dos anos 90, que nunca conseguiram o mesmo êxito. 









As performances de Rebecca De Mornay e Julianne Moore foram nomeadas para alguns prémios menos importantes, não chegando infelizmente aos Oscares, assim como o grande desempenho de Hudson que foi, quase criminalmente, posto de lado. 




Altamente recomendado ainda assim para fãs de bons thrillers, apesar do fraco e previsível final...








Género: Thriller / Drama.  

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 110 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=wjtfG8r14Uk

Classificação: 8.5/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.




quarta-feira, 29 de maio de 2013

Tales from the Darkside - The Movie (1990)

"Contos da Meia-Noite" de John Harrison com Deborah Harry, Matthew Lawrence, Christian Slater, Steve Buscemi, Julianne Moore, Robert Sedgwick, David Johansen, William Hickey, Mark Margolis, Rae Dawn Chong, Robert Klein & James Remar.

Longa-Metragem de Antologia de Horror e Suspense baseado na série de televisão, "Tales from the Darkside" ('83 a '88) similar à clássica "Twilight Zone" ('59 a '64) ou "Amazing Stories" ('85 a '87) composta por 3 segmentos de terror e fantasia envolvidas em torno da história principal onde Betty (Deborah Harry), uma bruxa moderna, rapta o pequeno Timmy (Matthew Lawrence) mantendo-o prisioneiro numa jaula enquanto prepara os ingredientes para o assar vivo e servi-lo mais tarde na recepção que irá dar aos seus amigos bruxos. 





Timmy (Matthew Lawrence) & Betty (Debbie Harry)

Para manter Timmy sossegado na cela, Betty dá-lhe um velho livro encadernado da sua juventude intitulado "Tales from the Darkside" e Timmy apercebendo-se que poderá retardar o seu destino lendo-lhe histórias que a bruxa há muito esquecera, começa-lhe a contar no intuito de a cativar. 






Lee (Robert Sedgwick) & Susan (Julianne Moore)

Somos transportados ao primeiro segmento onde numa prestigiada Universidade, o estranho, mas aplicado estudante Bellingham (Steve Buscemi) é alvo de uma maldosa partida por parte de dois colegas ricos e arrogantes: Susan (Julianne Moore) e Lee (Robert Sedgwick), 






Bellingham (Steve Buscemi) & Andy (Christian Slater)

que o maltratam sistematicamente devido a Bellingham não ter os seus estatutos sociais. Porém, Andy (Christian Slater), irmão de Susan, defende-o como pode e numa noite ajuda-o com um estranho lote designado de 249, vindo do departamento de arqueologia contendo uma múmia e enquanto a investiga, Bellingham encontra um pergaminho antigo.








Nessa mesma noite, alguém chacina selvaticamente Lee e Susan. Qual será a relação entre as mortes e o estranho Lote 249?











No segundo segmento, Halston (David Johansen), um prestigiado assassino profissional é contratado pelo excêntrico milionário Drogan (William Hickey) que vive isolado numa velha mansão







Drogan (William Hickey)

para exterminar um gato preto que este designa como o "gato dos infernos" tendo sido o responsável pela morte de todos os habitantes da casa. 









Halston (David Johansen)

Relutante ao começo pela simplicidade do seu trabalho, mas sendo bem pago, aceita o serviço, sem saber que se meteu com a mais poderosa nemesis que encontrou e lhe poderá custar a vida.








Preston (James Remar)

No terceiro segmento, Preston (James Remar), um artista actualmente com um bloqueio criativo que reside no bairro degradado de Hell's Kitchen, à saída de um bar de madrugada com um amigo testemunha a morte deste decapitado por uma estranha criatura semelhante a um Gárgula. 






Preston implora pela sua vida e o Gárgula deixa-o viver em troca deste nunca revelar a ninguém sobre a sua existência. Na mesma noite, Preston encontra Carola (Rae Dawn Chong), uma bela mulher perdida naquele bairro perigoso e leva-a para casa. 









Apaixonam-se a acabam por casar e alguns anos depois já com uma carreira de sucesso e 2 filhos, à partida tudo corre bem na vida de Preston, mas será tudo isso realidade ou apenas uma ilusão?

*******************  ALERTA!! A partir daqui algum texto ou fotos podem conter SPOILERS!!!!  *******************



Dirigido por John Harrison, realizador vindo da série de TV do mesmo nome, segundo um guião de Michael McDowell baseado no pequeno conto de Sir Arthur Conan Doyle (Segmento 1 - "Lot 249"), 










George A.Romero baseado na pequena história de Stephen King (Segmento 2 - "Cat from Hell") 













e num argumento original de McDowell (Segmento 3 - "Lover's Vow"), "Tales from the Darkside - The Movie" é a versão cinematográfica da série na linha das anteriores adaptações de sucesso para o grande ecrã como "Creepshow" ('82), de onde este filme colhe maiores semelhanças ou "Twilight Zone - The Movie" ('83). 






Todos os segmentos estão bem escritos e dirigidos por John Harrison, cineasta completamente à vontade com o género, resultando em hora e meia de puro entretenimento, levando-nos da fantasia ao horror passando pelo suspense ao humor negro, e mesmo não sendo uma das melhores obras de antologia de horror, é certamente uma das mais divertidas e emocionantes.




A malvadez da bruxa interpretada pela cantora Blondie

O excelente elenco envolvido ajuda em grande parte a elevar o resultado do produto final, com as participações dos cantores Deborah Harry (mais conhecida por Blondie e estrela de "Videodrome" de David Cronenberg) e David Johansen (vocalista da extinta banda de glam rock, New York Dolls); 






a então jovem estrela ascendente Christian Slater; os agora consagrados Julianne Moore e Steve Buscemi em início de carreira; 









Carola (Rae Dawn Chong) & Preston

a actriz de "Commando" ('85), Rae Dawn Chong e sobretudo, um dos mais subestimados actores de sempre, James Remar (mais conhecido pelo seu papel do psicopata Albert Ganz em "48 Hours" de '82) em mais um grande desempenho como o artista que esconde um segredo tenebroso. 








Johansen está muito bem na sua habitual excêntrica performance contribuindo em grande parte para a dose do humor negro, mais patente no segmento em que participa. Os efeitos especiais e de caracterização estão bastante bons para a altura e ao nível de uma produção do cinema legítimo.







Apesar de bem encenados e dos altos valores de produção, os dois primeiros segmentos acabam por ser rotineiros dentro do género, sobretudo se revistos nos dias de hoje aonde já muito se esticou a fórmula, 








mas o terceiro segmento ainda hoje é algo de extraordinário, seja na concepção da história como do ambiente em si criado, misturando eficazmente o romance e drama com a fantasia e horror.








A reviravolta final é surpreendente para a época em que foi feito (muito antes do "twist" entrar na moda de qualquer produção thriller / horror / suspense de hollywood) e as sólidas interpretações de James Remar e Rae Dawn Chong carregam o impacto deste segmento. 







A mais fraca acaba por ser a história principal que tem o típico final já esperado, mas Debbie Harry é deliciosamente vil e distante como a bruxa de serviço.











Em suma, "Tales from the Darkside - The Movie" é um bom filme para Sessão da Meia-Noite, na linha dos outros clássicos de culto de antologia de horror e embora não esteja ao nível do primeiro "Creepshow" é um óptimo digestivo para se apreciar depois da ingestão do citado.


Género: Horror / Fantasia. 

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 93 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=Y9I7nrsRCuM

Classificação: 8/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.
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