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domingo, 11 de agosto de 2013

Revolution (1985)

"Revolução" de Hugh Hudson com Al Pacino, Donald Sutherland, Nastassja Kinski, Steven Berkoff, John Wells, Annie Lennox, Dexter Fletcher, Sid Owen, Richard O'Brien, Joseph Runningfox, Graham Greene & Joan Plowright.

Durante os anos da Revolução que deram a Independência aos Estados Unidos da América, Tom Dobb (Al Pacino), um caçador escocês viaja com o filho Ned (Sid Owen) para Nova Iorque, na esperança de uma vida nova depois da febre ter levado o resto da família. Quando o seu filho é coagido a alistar-se na guerra, Dobb é obrigado a segui-lo embora vá combater numa luta que julga não ser a sua. Ao mesmo tempo, conhece a rebelde aristocrata Daisy McConnahay (Nastassja Kinski) apaixonando-se à primeira vista, mas a guerra acaba por separá-los. Quando o seu pequeno Ned é capturado pelos ingleses, ficando aos cuidados do terrível sargento-major Peasy (Donald Sutherland), Dobb fará tudo para salvá-lo. Fugindo para as florestas, são salvos pelos índios locais e tornam-se batedores dos franceses, entretanto aliados às Colónias, fazendo Dobb mudar de opinião e lutar arduamente pela liberdade e independência do novo País...


Al Pacino como Tom Dobb

A infame super-produção inglesa e norueguesa sobre a Guerra da Independência Americana, realizado pelo cineasta inglês Hugh Hudson, nomeado ao Oscar por "Chariots of Fire" ('81) e protagonizado por Al Pacino, depois de Harrison Ford, Robert Duvall e Richard Gere entre outros recusarem o papel, 





Nastassja Kinski como Daisy McConnahay




tornou-se um dos maiores fracassos de bilheteiras da década, a par com "Heaven's Gate" ('80) ou "Ishtar" ('87) trazendo uma crise financeira ao cinema britânico que levou anos para recuperar.







Sargento Jones (Steven Berkoff)

Se a ideia de Hudson e do argumentista Robert Dillon era o de criarem um épico monumental sobre a Guerra da Independência Americana, "Revolution" falha completamente no alvo num resultado confuso sobre aquilo que realmente quer ser, servido de uma realização orientada quase exclusivamente para o lado visual, dando pouco cuidado à direcção de actores e à consistência do seu guião. 







A montagem é completamente atroz, com a encenação de Hudson a carecer de dinâmica resultando num ritmo melancólico a doses de valium, filmando uma trama demasiado superficial para o tema, pouco coerente e recheada de falhas de lógica ou de situações difíceis de acreditar para a conveniência do enredo. 



Al Pacino, nomeado ao Razzie para Pior Actor do Ano aqui, aparenta estar meio perdido com o material dado ou desmotivado com o filme em si, embora tenha os seus momentos de brilho na interacção com o filho, interpretado por Sid Owen e mais tarde em adolescente por Dexter Fletcher; 


Sargento-Major Peasy (Donald Sutherland)

Donald Sutherland, recebe o segundo lugar nos créditos, mas o seu personagem tem a mesma importância de uma paisagem, não tendo qualquer tipo de desenvolvimento que faça o espectador compreender o porquê das suas acções 









e Nastassja Kinski, como a co-protagonista do filme tem no máximo 10 - 15 linhas de diálogo, com duas delas a explicarem o porquê da enorme atracção e paixão entre uma aristocrata rebelde e um "homem das cavernas" da Escócia. 







Liberty Woman (Annie Lennox)




As coincidências de todos os encontros e desencontros de ambos ao longo do filme dentro dum cenário de guerra, faz com que toda a imensa região pareça uma pequena aldeia. Destaque ainda para Annie Lennox, a cantora dos Eurythmics, num pequeno papel como a ruiva revolucionária creditada no filme como Liberty Woman.






"Revolution" tem mesmo assim algumas qualidades redentoras, especialmente no magnífico trabalho de reconstituição de época a nível de cenários e guarda-roupa e na brilhante cinematografia de Bernard Lutic, embora o trabalho de câmara de Hudson repleto de close-ups, diminua bastante a escala na acção, retirando o lado portentoso e reduzindo ainda mais o sentimento épico de uma obra deste género. As sequências de batalha, apesar de bastante criticadas na altura, estão competentes.




Em suma, "Revolution" é uma longa, monótona, aborrecida e pouco credível tentativa de um épico histórico, cujo vergonhoso desaire levou ao hiatus de Pacino de 4 anos sem participar num filme, regressando somente em '89 com o criticamente aplaudido "Sea of Love", ao mesmo tempo que incutiu um receio em Hollywood sobre filmar mega-produções em contexto de filme de guerra, 



Ned Dobb (Sid Owen)

só retornando ao género depois do êxito de "Glory" ('89), o mesmo que impulsionou que a obra de Michael Mann, "The Last of the Mohicans" entrasse em produção, onde ironicamente Daniel Day-Lewis interpretou um personagem semelhante ao de Pacino neste filme. 




Outro notável sobre o tema, mas mais virado para a parte do entretenimento é o "The Patriot" ('00) com Mel Gibson. 







Ned adolescente (Dexter Fletcher)


Uma nova versão do filme em DVD com o título "Revolution Revisited", um nome pomposo para uma "Director's Cut", foi lançado com uma montagem que difere em certas cenas; menos 10 minutos de filme; uma adição em voz off de Pacino que não trás nada de novo, excepto explicar em modo de repetição e divagando pelo caminho ao ponto da quase fartação sobre a sua história passada e um novo final que difere do final feliz da versão de cinema. 











Juntamente inclui uma entrevista com Al Pacino e Hugh Hudson que acusam os produtores da altura de destruírem o filme, originando assim o fracasso crítico e comercial dele, mas a julgar por esta nova versão que em nada o melhora, e em certos aspectos, talvez piore, a realidade é que o filme estava condenado desde o início...


Género: Aventura / Drama / Histórico / Guerra. 

Fotografia: Côr.

País: Inglaterra / Noruega / E.U.A.

Duração: 126 minutos.


Classificação: 6/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Maria's Lovers (1984)

"Os Amantes de Maria" de Andrei Konchalovskiy com Nastassja Kinski, John Savage, Robert Mitchum, Anita Morris, Bud Cort, Karen Young, Tracy Nelson, John Goodman, Vincent Spano, Bill Smitrovich & Keith Carradine.

No final da Segunda Grande Guerra, Ivan Bibic (John Savage) regressa aos E.U.A. à sua terra-natal nos subúrbios de Pittsburgh, depois de sobreviver a um Campo de Prisioneiros de Guerra japonês, causando-lhe pesadelos frequentes. Ao longo do cativeiro, a razão para a sua sobrevivência deveu-se ao facto de aspirar juntar-se ao seu amor de juventude, a conterrânea jugoslava Maria Bosic (Nastassja Kinski) que rompe o noivado com o Capitão Al Griselli (Vincent Spano) para namorar com Ivan. Contra os conselhos do pai de Ivan (Robert Mitchum), os dois acabam por se casar, mas Ivan desenvolve um trauma que o impede de consumar o casamento, começando a vaguear ébrio pelas ruas da cidade e recorrendo aos serviços de uma prostituta. Entretanto o músico itinerante Clarence Butts (Keith Carradine) chega à cidade e apaixonando-se pela beleza virginal de Maria, tenta seduzi-la. Conseguirá a frustrada Maria resistir ao forasteiro galante não quebrando assim os sagrados votos do matrimónio?





Primeiro filme americano, sendo a sua estreia em língua inglesa, do realizador russo Andrei Konchalovskiy, 1 ano antes de realizar a sua obra-prima americana, "Runaway Train", dirigindo a excêntrica e exótica actriz Nastassja Kinski em um dos 4 filmes de relevo que protagonizou em '84 





A bela Nastassja Kinski como Maria Bosic

(sendo os outros "Unfaithfully Yours", "The Hotel New Hampshire" e "Paris, Texas"), tendo aqui um papel de maior relevo e o seu melhor desempenho como a inocente e virginal Maria. 









De pendor mais europeu do que americano, apesar do "small town vibe" do pós-Guerra característico do cinema dos E.U.A. da altura, ainda em ecos do sucesso do "The Deer Hunter" ('78), também com John Savage, é como Konchalovskiy dirigisse um filme artístico europeu, mas tentando adequá-lo a uma audiência americana menos exigente. 





Ivan (John Savage) & Maria

O argumento do próprio Konchalovskiy com Gerard Brach é interessante, mas talvez funcionasse melhor como peça de teatro do que longa-metragem, com a trama a demorar a fluir e o ritmo a ser demasiado lento para algum público. 











Outro dos aspectos menos positivos é que a relação tortuosa entre os dois protagonistas, que é o tema central do filme, acaba por ser pouco explorado, com o realizador a deixar demasiado o espectador à distância, acabando por não se envolver emocionalmente com os personagens numa sensação de saber a pouco. 





Para uma produção da Cannon Group, o conhecido Estúdio dos primos Menahen Golan e Yoram Globus que produziram um sem número de filmes de acção série-B de baixo orçamento durante os extrovertidos anos 80, 








"Maria's Lovers" cumpre no rigor histórico seja a nível de reconstituição da época e do guarda-roupa, seja na parte técnica com uma brilhante cinematografia de Juan Ruiz-Anchia e uma iluminação adequada, 






mas falta-lhe gás, adrenalina ou até mesmo mais ousadia, pois esta obra acaba por sugerir mais do que aquilo que realmente mostra, nem sequer se qualificando como parte do cinema erótico, para tornar esta obra um marco no género (sobretudo se comparado ao excelente e algo similar em disposição: "Racing with the Moon" de Richard Benjamin que estreou no mesmo ano. 






No capítulo das performances, Nastassja está muito bem como Maria, de menina a mulher, o seu personagem passa por diversas alterações ao longo da história e apesar de roçar o exagero em certas cenas, o tom da representação é o correcto;






John Savage vindo do "The Deer Hunter" prova aqui porque nunca singrou em Hollywood como actor principal, vindo a desaparecer poucos anos depois. A falta de carisma e da fome de representação, desperdiça aqui um potencial papel clássico que nas mãos de um Mickey Rourke podia ter sido ouro (Rourke desempenharia um papel algo semelhante cerca de 5 anos depois em "Wild Orchid"); 




O lendário Robert Mitchum como o Pai de Ivan

o malogrado Robert Mitchum num dos seus papéis secundários mais fortes dos anos 80, deixa sempre o seu cunho pessoal em qualquer obra que entre, dada a sua forte presença no ecrã e finalmente, 










O cão Dave & Clarence Butts (Keith Carradine)

Keith Carradine acaba por roubar o show na pele do espirituoso músico "bon-vivant" Clarence Butts, cuja sua falta de moral faz o seu personagem de "Nashville" ('75) parecer um escuteiro. 









Vincent Spano é o Capitão Al Griselli

Vincent Spano não chega a convencer no seu papel secundário do Capitão trocado à última da hora pelo retornado da Guerra e John Goodman, em início de carreira, oferece-nos as primeiras faíscas do seu potencial.











Em suma, "Maria's Lovers" é um filme mediano, que poderia ter sido bem melhor se limadas certas arestas, especialmente na parte do argumento e desenvolvimento dos personagens, acabando por não convencer como "filme intelectual europeu", 







pois não tem assim tanta substância, nem como obra de entretenimento fácil de se seguir. Pode ser, inclusive penoso para algum público assistir a este filme, pois apesar das menos de duas horas de duração, com o ritmo dado, soam a quase o dobro.







Género: Drama / Romance. 

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 109 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=7yCTziwChio

Classificação: 6.5/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.

sábado, 27 de abril de 2013

Terminal Velocity (1994)

"Velocidade Terminal" de Deran Sarafian com Charlie Sheen, Nastassja Kinski, James Gandolfini, Christopher McDonald, Gary Bullock, Hans Howes, Melvin Van Peebles, Rance Howard & Margaret Colin.

Richard "Ditch" Brodie (Charlie Sheen) é um instrutor de pára-quedismo sempre envolvido em problemas. Um dia, uma misteriosa e bela mulher, Chris Morrow (Nastassja Kinski) aborda-o na escola pretendendo dar o primeiro salto. Já no ar, "Ditch" desvia os olhos de Chris por uns momentos e quando olha de novo depara-se com o avião vazio. Tentando salvá-a atira-se em queda livre, mas não consegue impedir que a mulher morra desfeita com o impacto. De inicialmente destroçado, começa a suspeitar que algo se passa pois lembra-se de a ter amarrado com a corda de segurança e começa a investigar a fundo sobre quem é esta misteriosa mulher. Quando é abordado por Ben Pinkwater (James Gandolfini), um Delegado do Ministério Público que pretende acusá-lo de assassínio involuntário, e querendo este saber demasiado, "Ditch" recorre à filmagem amadora de um colega da escola do fatídico acidente descobrindo algo inacreditável...



"Ditch" Brodie (Charlie Sheen)

Acção e aventura a grande velocidade e em queda-livre dirigido por Deran Sarafian ("Gunmen" de '93) que aqui presta homenagem ao pai, o realizador Richard C.Sarafian responsável pelo clássico de culto de perseguições de carros "Vanishing Point" ('71) incluindo o uso do icónico Dodge Challenger branco de '70 usado nesse filme tendo aqui Charlie Sheen ao volante.





A acção é desenfreada e sem limites repleta de cenas arriscadas e a encenação é radical, com grandes proezas de extraordinários duplos executando os espectaculares saltos na perfeição. 







O trabalho de câmara é excelente, mostrando alguns planos inventivos nas sequências de pára-quedismo, algum tempo antes da chegada da malfadada era digital que tirou o trabalho aos duplos e substituiu as fantásticas sequências de acção pelo irrealista C.G.I.



Chris Morrow (Nastassja Kinski)

Cumprindo a nível técnico falha na parte do argumento, sendo banal e pobre na construção de uma intriga coerente, sujeito a várias pontas soltas e situações inverosímeis, e exceptuando alguns bons diálogos nada mais há a destacar.




Charlie Sheen interpreta-se a si mesmo como o confidente e vaidoso "Ditch" que se apaixona pela misteriosa Chris e Nastassja Kinski cuja grande parte da sua carreira é constituída pelos seus desempenhos em "cinema artístico" aparenta divertir-se à grande em actuar num filme desde género. 





Ben Pinkwater (James Gandolfini)

James Gandolfini ecoando o seu vicioso e violento personagem de "True Romance" ('93), está competente numa performance que lhe é habitual, antecedendo a sua explosão para a fama com o êxito da série de TV, "The Sopranos" ('99).




Em suma, fãs do cinema de acção com o charme série-B, repleto de prodigiosas sequências aéreas e de salto, explosões, pirotecnia a rodos, tiroteios e ainda umas pitadas de romance, "Terminal Velocity" é o ideal e despretensioso "filme da pipoca"  para se ver como escape ao quotidiano. 







Charlie Sheen nunca desilude e tal como a sua vida pessoal, este seu filme-veículo é genuíno, divertido e vertiginoso entretenimento que nos deixa com a adrenalina ao máximo...




Género: Acção / Thriller / Mistério / Comédia.

Fotografia: Côr.  

País: E.U.A. / Canadá

Duração: 102 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=cMzjb5OeYng

Classificação: 6.5/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.

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