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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Roxanne (1987)

"Roxanne" de Fred Schepisi com Steve Martin, Darryl Hannah, Rick Rossovich, John Kapelos, Fred Willard, Michael J.Pollard, Damon Wayans, Kevin Nealon & Shelley Duvall.

C.D.Bales (Steve Martin) é o Chefe dos Bombeiros de uma pequena cidade que tem um gigantesco nariz. Inteligente, romântico, culto e extrovertido, Bales vive no drama da sua deformação que o impede de se revelar à mulher dos seus sonhos, Roxanne (Darryl Hannah), uma astrónoma que se mudou para a sua cidade. Ao mesmo tempo, Chris (Rick Rossovich), um jovem atlético e atraente bombeiro é enviado para treinar o departamento de Bales, mas apesar de atrair todo o público feminino, é tímido e bronco não sabendo minimamente como lidar com uma mulher. Chris capta a atenção da bela Roxanne, mas incapaz de a conquistar pede ajuda a Bales que apesar de apaixonado por ela secretamente, vai ajudá-lo escrevendo-lhe declarações de amor em nome de Chris o que dará origem a situações cómicas hilariantes...



Roxanne (Darryl Hannah) & Bales (Steve Martin)



O excelente comediante Steve Martin adapta aqui a famosa peça de Edmond Rostand, "Cyrano de Bergerac" em versão moderna e descontraída assumindo também a protagonização numa obra dirigida pelo australiano Fred Schepisi (realizador do drama "Plenty" com Meryl Streep em '85).






Com um ritmo enérgico e divertido, "Roxanne" é filmado como uma farsa teatral que oscila entre a comédia e o drama num timing perfeito entre os dois mundos e envolvido numa atmosfera mágica de romance. 




Bales "oferece" um poleiro para os passarinhos...

O trejeito próprio da comédia física de Martin (revelado com "The Jerk" em '79) é bastante patente aqui, mas o actor vai bastante mais longe nesta sua performance fazendo-nos rir e chorar com o mundo muito próprio do seu personagem C.D.Bales (que tem as mesmas iniciais do qual foi baseado - Cyrano de Bergerac). 




O guião da sua autoria é simplesmente genial: acolhedor, divertido, espontâneo, melodramático sem cair no piroso e recheado de "gags" hilariantes.









Bales com Dixie (Shelley Duvall)

A cinematografia é alegre e luminosa o suficiente para captar na perfeição o "small town vibe" de onde todos se conhecem e os personagens secundários são coloridos o suficiente para nos fazerem rir genuinamente com a sua comédia de situação.






Roxanne e o bronco Chris (Rick Rossovich)


A bela Darryl Hannah nunca foi uma grande actriz, mas o seu papel como Roxanne não pede muito mais do que parecer querida no ecrã e sonhadora esperando o seu cavaleiro de armadura reluzente e de palavras doces que a arrebatam, com Rick Rossovich ("Top Gun" de '86) a roubar o show como o bronco Chris.






Repleto de cenas memoráveis, com especial destaque para toda a sequência em que Steve Martin improvisa 20 piadas sobre o seu nariz grande, magnificamente encenada e interpretada pelo actor, "Roxanne" é uma divertida fábula romântica que transpira a magia dos anos 80 e um visionamento obrigatório para fãs dessa fabulosa década para cinema.




A título de curiosidade, muitos actores cómicos colegas de Steve Martin protestaram em '88 quando o actor não viu o seu trabalho como actor e argumentista ser reconhecido pela Academia para candidato a um Oscar. 






É raro para a Academia reconhecer uma comédia para a entrega do prémio máximo, mas num ano em que o filme protagonizado por Cher, "Moonstruck", não só foi nomeado como arrebatou diversas estatuetas foi completamente injusto a omissão de Steve Martin para Melhor Actor e Melhor Argumento. O seu duplo trabalho aqui merecia isso e muito mais. É ver para crer.



Género: Comédia / Drama / Romance.

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 107 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=sUgPNU_mRLQ

Classificação: 8.5/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

The Lords of Discipline (1983)

"A Escola do Dever" de Franc Roddam com David Keith, Michael Biehn, Rick Rossovich, John Lavachielli, Mitchell Lichtenstein, Mark Breland, Judge Reinhold, Malcolm Danare, Barbara Babcock, Greg Webb, Bill Paxton, Ed Bishop, Jason Connery, Rolf Saxon, William Hope, Matt Frewer, Sophie Ward, G.D.Spradlin & Robert Prosky.

1964. Sul dos Estados Unidos. O cadete Will McLean (David Keith), findo o Verão, regressa ao seu último ano na Academia Militar aonde um recruta negro Tom Pearce (Mark Breland) é aceite pela primeira vez na Instituição e o Coronel "Bear" Berrineau (Robert Prosky) pede a McLean que o vigie temendo represálias racistas da parte dos outros cadetes. Will ouve boatos sobre uma lendária sociedade secreta intitulada "The Ten" constituída por um grupo de elite de cadetes escolhidos a dedo que não olham a meios para expulsarem os aspirantes menos desejados sobre a forma de repressão, humilhação e tortura. Com as vítimas ameaçadas ou mentalmente extenuadas ao ponto de suicídio, nunca nenhuma delas fez queixa, permanecendo assim a sociedade secreta um mito dentro da Academia, que nem o General Bentley Durrell (G.D.Spradlin) admite a sua existência. 



Humilhação aos caloiros
No decurso da sua investigação, Will depara-se com um sub-mundo dentro da Academia que desconhecia, passando a desconfiar de tudo e todos, incluindo as patentes mais altas e embatendo com o Cadete Sénior John Alexander (Michael Biehn) e o seu grupo por ser demasiado benevolente com os caloiros, pede auxílio aos seus amigos mais próximos e companheiros de quarto: Santoro (John Lavachielli), Pignetti (Rick Rossovich) e Tradd (Mitchell Lichtenstein), mas será que pode confiar neles?



Extenuação mental
Realizado pelo cineasta inglês Franc Roddam ("Quadrophenia" de '79) e adaptado da novela do escritor americano Pat Conroy (autor do "The Prince of Tides" de  '91), "The Lords of Discipline" é um soberbo thriller na linha de "Taps" ('81) e protagonizado por David Keith, vindo do grande sucesso de "An Officer and a Gentleman", filme também sobre a vida numa Academia Militar), estreado no ano anterior.





"Bear" (Robert Prosky) e o grupo de McLean

Adaptar a extensa obra de Conroy não é tarefa fácil para uma longa-metragem de pouco mais de hora e meia e muitas cenas fulcrais do livro acabaram por ser omitidas, assim como as pequenas histórias que reforçariam a trama, mas mesmo assim Roddam consegue entregar-nos um filme competente de ambiente sombrio e envolvido numa aura de mistério, contando com pequenas doses de humor em timing certo que servem para aligeirar o conteúdo, mas sem nunca afectar o ambiente negro.



Pearce (Mark Breland) é ameaçado

Para quem leu o livro, poderá ficar cheio de expectativas e achar o filme inferior, mas para quem não leu e assistir sem ideias pré-concebidas, "The Lords of Discipline" é uma obra bem dirigida e de ritmo empolgante bem actuada por um bom conjunto de actores, muitos deles na sua estreia em cinema ao lado de outros veteranos.





Tradd, Santoro, McLean & "Pig"


David Keith como o protagonista deixa um pouco a desejar. Em "An Officer and a Gentleman" como o resignado recruta amigo de Richard Gere teve uma boa participação secundária, mas sem a responsabilidade de carregar o filme aos ombros.






John Alexander (Michael Biehn) tortura Pearce

Aqui, tendo o foco principal, Keith mostra-se incapaz de segurar a trama e acaba por não ser muito convincente na sua demanda de descobrir sobre a Sociedade Secreta. Contudo, grande parte do elenco secundário é brilhante, destacando-se os veteranos Robert Prosky como "Bear" e G.D.Spradlin na pele do conturbado general. 







General Durrell (G.D.Spradlin)



Dos jovens actores, Rick Rossovich como "Pig", o matulão de bom-coração e Michael Biehn como o vicioso e execrável John Alexander são memoráveis nos seus papéis. 








A título de curiosidade este é o primeiro filme que juntaria Rossovich, Biehn e Bill Paxton, sendo aqui ainda creditado como "Wild" Bill Paxton, tendo os actores colaborado no ano seguinte no sucesso "The Terminator" e posteriormente em "Navy Seals" ('90) com Biehn e Paxton ainda a actuarem juntos em "Aliens" ('86) e "Tombstone" ('93). 




Espectadores mais atentos poderão identificar Jason Connery (filho de Sean Connery e Diane Cilento), Matt Frewer, William Hope (Gorman em "Aliens"), Sophie Ward ("Pyramid of Fear" de '85) e Judge Reinhold (da franchise "Beverly Hills Cop").





"Pig" (Rick Rossovich) durante a "Walk of Shame"

Em suma, "The Lords of Discipline" embora não atingindo um mesmo nível de "Taps" é mesmo assim uma obra obrigatória a ver para fãs do género. Obscuro, pouco falado e raramente incluído nas listas de melhores dos anos 80 é uma daquelas pérolas esquecidas que vale a pena redescobrir. 



Género: Thriller / Mistério.

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 102 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=A2d84U4Ewic

Classificação: 8/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.


sábado, 30 de março de 2013

Navy Seals (1990)

"Comandos para Vencer" de Lewis Teague com Charlie Sheen, Michael Biehn, Rick Rossovich, Bill Paxton, Cyril O'Reilly, Dennis Haysbert, Paul Sanchez, Nicholas Kadi & Joanne Whalley-Kilmer.

Uma equipa de Navy Seals liderada pelo Tenente James Curran (Michael Biehn) numa missão de resgate a um grupo de americanos da Força Aérea sequestrados por terroristas Islâmicos descobrem perigosos misseis Stinger na posse do inimigo. Com soldados feridos durante a operação, Curran opta por sair da área rapidamente em vez de os destruir. Uns dias depois os terroristas iniciam um rol de atentados e Curran arrependido de não os ter destruído quando teve hipótese, reúne a equipa no sequestro a um informador que lhes poderá indicar o novo esconderijo dos misseis. Nessa missão, um dos elementos mais queridos da equipa, Graham (Dennis Haysbert) é morto devido à inconsciência do temerário Tenente Dale Hawkins (Charlie Sheen), mas o fatídico acto acaba por unir o resto da equipa constituída ainda por Ramos (Paul Sanchez), Dane (Bill Paxton), Rexer (Cyril O'Reilly) e Leary (Rick Rossovich) numa missão de vingança pessoal para o embate final contra o terrorista Ben Shaheed (Nicholas Kadi), o detentor dos misseis, nas ruas de uma Beirute a ferro e fogo...


NAVY SEALS - Leary, Hawkins, Curran, Dane, Rexer & Ramos
Produzido pela extinta e saudosa Orion Pictures e dirigido pelo tarefeiro Lewis Teague, especialista em filmes de puro escape e diversão, "Navy Seals" é um cocktail de pura adrenalina de acção e aventura como um cruzamento de "Top Gun" ('86) versão ar, terra e mar com um "The Delta Force" com Chuck Norris (também de '86), mas numa vertente mais realista (embora um "realismo" bastante exagerado para funcionar em formato de filme de entretenimento).



Curran (Biehn), Hawkins (Sheen) & Dane (Paxton)




Os actores do elenco que compõem a equipa de Navy Seals submeteram-se a semanas de treinamento ao lado de profissionais do ramo e o resultado final é a credibilidade vista no ecrã nas suas competentes performances como se de verdadeiros Navy Seals se tratassem.





Charlie Sheen, que depois dos seus registos mais dramáticos nos filmes de Oliver Stone "Platoon" ('86) e "Wall Street" ('87), entrou em fins da década de 80 no cinema mais despretensioso de acção, protagoniza num dos seus primeiros papéis de alucinado bon-vivant que mais tarde seriam a sua imagem de marca ao lado de um sóbrio Michael Biehn ("The Terminator" de '84 e "Aliens" de '86). 



Paxton, Rossovich, Biehn, Sanchez, Sheen, Haysbert & O'Reilly


Como um filme de amigos em que todo o elenco parece estar a divertir-se bastante em fazê-lo, conta ainda com Rick Rossovich (o "asa" de Val Kilmer em "Top Gun") e que co-protagonizou com Biehn, "The Terminator" ('84), Bill Paxton também do "The Terminator" e "Aliens" ('86) e Dennis Haysbert, parceiro de Sheen em "Major League" ('89).




Claire (Joanne Whalley)


Joanne Whalley então recém-casada com Val Kilmer, dá a componente sexy ao filme na pele de uma jornalista parte americana, parte libanesa que ajuda Curran na localização dos misseis, acabando por se apaixonar por ele.















Tecnicamente, as sequências de acção estão bem coreografadas bem como os cenários, se bem que em certas sequências possam parecer demasiado "baratos" e a cinematografia roça o formato "episódio de série de TV". Apesar de vir da parte de um estúdio bem cotado na altura (Orion lançou "Predator" e "Robocop" em '87 por exemplo), este filme não contou com um orçamento muito elevado, o que é visualmente notório.




Tenente Curran & Claire



A destacar ainda a portentosa trilha sonora de Sylvester Levay, que apela ao heroísmo no lado épico da missão dos Navy Seals, uma das melhores de sempre para este género de filme-fronteira com o série-B.








Em homenagem a Graham

Em suma, "Navy Seals" é um filme patriótico americano e dos seus honrosos soldados em guerra pela Justiça e pelo Mundo livre de armamento de alta tecnologia nas mãos de terroristas árabes. Estreou no auge da primeira Guerra do Golfo e mais de 20 anos depois continua actual. 




A fuga de Beirute


Muitos podem não conseguir passar pela política deste filme, mas se for visto neutralmente como uma obra de acção e aventura sem se levar demasiado a sério, é uma daquelas pérolas do cinema de acção ligeiro de fins de 80's com momentos divertidos (especialmente nas cenas que envolvem Charlie Sheen) que merece o visionamento.
Recomendado para uma Sessão da Tarde com um pack de cervejas ao lado.


Género: Acção / Aventura / Guerra.

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 113 minutos.


Classificação: 6.5/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.

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