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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Superman Returns (2006)

"Super-Homem - O Regresso" de Bryan Singer com Brandon Routh, Kate Bosworth, Kevin Spacey, James Marsden, Frank Langella, Parker Posey, Sam Huntington, Kal Penn, Tristan Lake Leabu, Jack Larson, Noel Neill & Eva Marie Saint.

Quando astrónomos descobrem vestígios de Krypton, o Planeta-Natal de Kal-El conhecido na Terra pelo Super-Homem (Brandon Routh), este embarca numa viagem pela Galáxia, acabando por descobrir que nada sobreviveu à catástrofe excepto resíduos da outrora avançada civilização. Regressando à Terra após 5 anos de ausência, constata que a sua amada Lois Lane (Kate Bosworth) avançou com a sua vida estando ligada amorosamente a Richard (James Marsden), sobrinho do Editor-Chefe do Daily Planet, Perry White (Frank Langella) e com um filho pequeno, Jason (Tristan Lake Leabu). Ao mesmo tempo, o lunático Lex Luthor (Kevin Spacey) depois de ter enganado uma viúva milionária, Gertrude Vanderworth (Noel Neill) e herdado todo o seu dinheiro, planeia um novo crime em grande escala para aterrorizar a Humanidade, desta vez invadindo a pequena réplica de Krypton, a Fortaleza da Solidão no intuito de roubar os cristais e usá-los para criar um novo continente governado por si. Cabe ao recém-regressado e emocionalmente instável, Super-Homem deter novamente a "maior mente criminosa do Mundo"...


***************************************************************** Nota: **************************************************************

A review deste filme como sendo dos anos 2000 é uma excepção à regra dos Clássicos e Filmes-de-Culto revistos no CineNostalgia, mas como funciona como uma semi-sequela da franchise iniciada em '78, resolvi inclui-lo para completar o lote.



Brandon Routh como Super-Homem

Cerca de 20 anos depois da última adaptação ao cinema de Super-Homem, a Warner Bros. depois de rejeitar diversos tratamentos para um novo filme, incluído o projecto de Tim Burton com Nicolas Cage que se focaria na morte do Homem-de-Aço 





Lex Luthor (Kevin Spacey) e os seus comparsas

ou o extravagante argumento de Kevin Smith cujos rumores dariam Keanu Reeves como o candidato principal para assumir o papel do super-herói mais famoso do Mundo na senda de George Reeves da clássica série de TV e do melhor de sempre a envergar a capa vermelha Christopher Reeve, foi dada luz verde a Bryan Singer, realizador vindo da concorrente Marvel Comics com "X-Men" de '00 e "X-Men 2" de '03, para redigir, dirigir e dar a sua visão pessoal a uma nova aventura do personagem da DC. 




Richard, Clark & Lois na redacção do Daily Planet

"Superman Returns" foi o resultado final de uma trapalhada de filme que actualmente o próprio Estúdio prefere ignorar a sua existência. Tentando estabelecer continuidade com os dois primeiros "Superman" com Christopher Reeve, mas ao mesmo tempo ser também um remake / reboot de "Superman - The Movie" ('78) esta obra partiu logo mal de início na sua concepção, entrando em desacordo com ambos os caminhos a que se propunha. 





Como "reboot" deixa tudo demasiado ao acaso, com Singer a não se preocupar em estabelecer uma origem para o Super-Herói ou o desenvolvimento necessário para os seus personagens, 





como sequela de "Superman II - The Adventure Continues" ('80) o filme tem tantas discrepâncias, buracos de continuidade e sobretudo uma falta de inspiração abismal, cuja existência desta obra é completamente desnecessária para o Universo do Super-Homem. 




A história de Bryan Singer é sombria e depressiva, lenta e arrastada sendo um tédio de seguir e a acção é completamente inerte com nada de fundamental a se passar ou a trazer algo de novo, excepto repetir sequências, cenas e diálogos da obra original de Donner e uns efeitos visuais impressionantes que eram impossíveis de se concretizarem em '78. 





E é nessas poucas cenas de acção que o filme desperta da letargia ambiente e que reside a sua única mais-valia (e os milhões gastos nos efeitos especiais), embora falte ali alma e o lado épico tão bem reproduzido e com muitos menos meios disponíveis, por Richard Donner e tão deixados ao acaso pelo marasmo da visão de Singer. 




Kate Bosworth como Lois Lane

No capítulo das performances, Brandon Routh e Kate Bosworth funcionam pior que dois cartazes de Christopher Reeve e Margot Kidder se lhes dessem a chance de actuar. 






Routh ainda se esforça em imitar os trejeitos de Reeve como Super-Homem, mas como Clark Kent falha completamente no alvo. Bosworth é simplesmente enfadonha como Lois e um completo embaraço de se seguir, sobretudo interpretando uma personagem vivida anteriormente pela enérgica e feminista Margot Kidder. A química entre ambos como um suposto casal apaixonado é abaixo de zero. 




Frank Langella como Perry White

Frank Langella aparenta estar mais em modo de ensaio para o seu futuro trabalho em "Wall Street - Money Never Sleeps" ('10) do que a interpretar Perry White, Jackie Cooper com muito menos tempo em cena nos filmes anteriores, tornou o personagem bastante mais memorável. 





Sam Huntington como Jimmy Olsen



Sam Huntington interpreta um Jimmy Olsen em modo Síndroma de Down, contrastando com a jovialidade recatada, mas normal de Marc McClure. 









Lex & Kitty Kowalski (Parker Posey)

Kevin Spacey tenta personificar Gene Hackman interpretando o seu Lex Luthor, menos espirituoso, mas mais malvado com um resultado quase aceitável, isto se comparado com Routh ou Bosworth, mas a direcção que lhe foi dada aliado ao ridículo do seu plano maquiavélico e os péssimos diálogos, nada abonam em favor do personagem. Parker Posey faz de enchimento para Miss Teschmacher interpretada por Valerie Perrine nos dois primeiros filmes.




James Marsden como Richard White

James Marsden vindo dos dois primeiros "X-Men" onde deu vida a Cyclops, recusou juntamente com Singer participar em "X-Men 3 - The Last Stand" para interpretar aqui o ingrato papel do namorado de Lois. 




A classe de Eva Marie Saint como Martha Kent

A lendária Eva Marie Saint junta um dinheiro na reforma sucedendo a Phyllis Thaxter como Martha Kent e Marlon Brando, entretanto falecido, vê a sua imagem explorada com cenas filmadas em '78 e recicladas para "Superman Returns" como Jor-El na Fortaleza da Solidão (a título de curiosidade, ambos os actores contracenaram e venceram Oscars pelas suas performances no clássico de Elia Kazan, "On the Waterfront" de '54).





Em suma, "Superman Returns" é a prova viva de que uma obra realizada com a tecnologia actual e com um orçamento de milhões de dólares não é sinónimo de um bom filme se não tiver uma história criativa, visão e tratamento decente sobre o personagem em que se baseia e sobretudo uma competente direcção de actores. 






Não basta reescrever sobre um filme de sucesso; copiar-lhe inclusive a maioria dos diálogos; dar-lhe o título de sequela e/ou homenagem para lhe dar um falso sentimento "retro" e esperar que o público consuma e digira sem 
questionar. 




Singer pareceu descuidar que a base do Super-Homem será sempre o de um personagem de banda desenhada clássico e "cheesy" e esse fundo não pode obviamente ser ignorado numa longa-metragem do mesmo, 









pois este seu filme mais parece uma "soap-opera" / telenovela melodramática sobre uma relação impossível, com Super-Homem na pele de um perseguidor e destruidor de lares, pois o seu rival Richard é retratado de modo tão simpático que é impossível se torcer pelo enlace do Homem-de-Aço com Lois, do que um "comic book movie". 





Tristan Lake Leabu como Jason Lane-White

De salientar também o terrível ritmo letárgico devido a uma das mais penosas montagens de sempre num filme do género, assistir a "Superman Returns" é quase uma tortura física e psicológica, pois das suas 2 horas e meia de duração, em apenas 1 hora e pouco serviria para contar tudo que o filme pretende e nada se perderia com isso. 






O falhanço crítico e comercial desta película resultou num novo hiatus do personagem até ao aguardado reboot "Man of Steel" estreado em '13. Resumidamente, "Superman Returns" é uma absoluta perda de tempo !!

Género: Fantasia / Ficção Científica / Romance. 

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 154 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=v4IOoyrfi0s

Classificação: 4/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.




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