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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Backdraft (1991)

"Mar de Chamas" de Ron Howard com Kurt Russell, William Baldwin, Scott Glenn, Jennifer Jason Leigh, Rebecca De Mornay, Jason Gedrick, J.T.Walsh, Jack McGee, Donald Sutherland & Robert De Niro.

O recruta Brian McCaffrey (William Baldwin) que 20 anos antes testemunhou a morte do pai, bombeiro de profissão, durante um incêndio entra para a 17ª Companhia dos Bombeiros de Chicago onde o seu irmão mais velho Stephen (Kurt Russell) é o tenente de serviço, causando conflito entre os dois. O responsável e ultra-protector Stephen receia que o seu estouvado irmão um dia morra em serviço, tornando-se assim severo e rigoroso nos treinos, para que este desista. Reencontrando Jennifer (Jennifer Jason Leigh), um amor antigo que actualmente trabalha como assessora para o Presidente da Câmara Alderman Swayzak (J.T.Walsh), este arranja-lhe um novo trabalho como ajudante de Donald Rimgale (Robert De Niro), um investigador de incêndios a braços com estranhos fogos postos que têm abalado a Companhia de Stephen, fazendo vítimas sistemáticas, incluindo o recruta Tim (Jason Gedrick), amigo pessoal de Brian. Com a vida num caos depois da separação da mulher Helen (Rebecca De Mornay) e contra os conselhos do veterano John "Axe" Adcox (Scott Glenn), bombeiro desde os tempos do pai Dennis McCaffrey (Kurt Russell), o temerário Stephen lança-se numa cruzada para combater os fogos cujo meticuloso efeito conhecido como "cortina de ar" ameaça fazer mais vítimas...




Um dos maiores sucessos de bilheteira de '91, produzido por Brian Grazer e Raffaella De Laurentiis e dirigido pelo actor tornado realizador, Ron Howard que acumularia diversos êxitos durante a década de '90, "Backdraft" é um thriller de acção e drama sobre uma Companhia de Bombeiros de Chicago a braços com um assassino em série incendiário, 



Kurt Russell como o tenente Stephen "Bull" McCaffrey



ao mesmo tempo que foca a relação tempestuosa entre dois irmãos bombeiros seguindo as pisadas do pai, mas de modos de estar diferentes na vida. 






William Baldwin como Brian McCaffrey

Ron Howard sabe como contar uma história, a sua direcção é brilhante, dando um toque melodramático à trama, sem cair no típico exagero e o argumento de Gregory Widen (ele próprio um bombeiro antes de ter enveredado pela escrita criativa) 



J.T.Walsh como Alderman Swayzak

apesar de demasiado hollywoodesco na concepção dos vilões do filme e dos motivos que os movem, bem como na carência de um desenvolvimento capaz para certos personagens, é efectivo nos momentos dedicadas ao funcionamento da equipe e códigos de honra entre bombeiros. 





Os efeitos especiais da Industrial Light & Magic são excepcionais para a altura, com o fogo em si a tornar-se um personagem primordial da história, 






sendo tão mortífero como fascinante e o artifício usado por Widen tornando o fogo como uma espécie de entidade viva, e embora não correspondendo à realidade, insere uma certa mística na trama que acaba por resultar. 








O elenco é recheado de estrelas liderado por um Kurt Russell, que depois de uma sucessão de filmes mal recebidos em finais de 80's, tirou um ano fora dos filmes e regressou em força neste duplo papel do pai Dennis e mais tarde, Stephen "Bull" McCafferty numa grande performance que se destaca dos seus pares. Apesar de não ter tido a atenção devida, calou a boca a muitos críticos que o viam como o "beefcake" canastrão de serviço. 




Donald Sutherland como Ronald, o incendiário

Donald Sutherland é arrepiante nos seus meros 5 minutos em cena como Ronald, o psicótico incendiário. 









Robert De Niro como Donald "Shadow" Rimgale



Robert De Niro é sólido, embora não lhe seja dado muito o que fazer, assim como Scott Glenn como o veterano bombeiro, que nem teve direito a um close-up decente para o seu personagem, embora seja o terceiro actor a figurar nos créditos iniciais. 





Scott Glenn como John "Axe" Adcox

William Balwin, foi uma evidente má escolha para o papel central do filme, por muito que tente o irmão mais novo de Alec, não possuí nem talento, nem o carisma necessário para se afirmar no seu papel, sendo ainda mais notável essa inexperiência nas suas cenas ao lado de "monstros sagrados" como Sutherland, Russell ou De Niro. 







Rebecca De Mornay como Helen McCaffrey



As excelentes actrizes de serviço Rebecca De Mornay e Jennifer Jason Leigh acabam por ser completamente desperdiçadas na trama, pois caso fossem retiradas o enredo fluiria na mesma. 





Jason Gedrick como Tim Krizminski

O malogrado "character actor" J.T.Walsh interpreta o seu usual personagem vil, papel que interpretaria até durante o sono e Jason "Iron Eagle" Gedrick é tão loucamente entusiástico como o jovem recruta, que qualquer veterano em cinema se apercebe que o seu personagem vai ter um final trágico.




Jennifer Jason Leigh como Jennifer Vaitkus

Uma das mais valias de "Backdraft" é a sua trilha sonora composta por Hans Zimmer, que embala a acção presente na tela dando-lhe um registo épico, especialmente nas cenas de acção dos bombeiros no combate ao fogo.







Em suma, "Backdraft" é um daqueles filmes imponentes visualmente, sendo mais indicados para serem vistos em tela de cinema. 







Como embaixador da nobre profissão dos bombeiros, é bastante respeitador na homenagem dada, embora introduza os típicos artifícios de Hollywood para fazer render a fórmula. 






Foi nomeado em '92 para 3 Oscars da Academia (Melhor Som, Efeitos Sonoros e Efeitos Visuais), tendo perdido para o seu concorrente directo também saído da Industrial Light & Magic, "Terminator 2 - Judgment Day". 






Género: Drama / Crime / Thriller / Acção.

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 137 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=DlXcUyFjNgA

Classificação: 8/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.




La leggenda del santo bevitore (1988)

"A Lenda do Santo Bebedor" de Ermmano Olmi com Rutger Hauer, Sandrine Dumas, Dominique Pinon, Sophie Segalen, Jean-Maurice Chanet, Cécile Paoli, Dalila Belatreche & Anthony Quayle.

Em Paris, um distinto cavalheiro (Anthony Quayle) dirige-se a um alcoólico sem-abrigo, Andreas Kartak (Rutger Hauer) que vive debaixo da ponte e oferece-lhe 200 francos em dinheiro em troca de Andreas quando puder, retribuir depositando a mesma quantia numa Igreja local. Apesar do estado decadente em que actualmente se encontra, Andreas é um homem digno e honrado e depois do estranho encontro, a sua vida começa a mudar para melhor através de uma série de encontros fortuitos com amigos do passado, mas que parecem querer desviá-lo de cumprir a sua promessa...











Andreas Kartak (Rutger Hauer)

Numa altura em que o actor holandês Rutger Hauer fazia carreira nos E.U.A. como estrela de filmes de acção como "The Hitcher" ('86) ou "Wanted: Dead or Alive" ('87) depois do sucesso do seu memorável papel como o vilão replicant Roy Batty no clássico de culto de Ridley Scott, "Blade Runner" ('82),






este tomou a decisão arriscada de participar num pequeno filme europeu co-produção entre a Itália e a França interpretando um sem-abrigo itinerante que vive para a próxima taça de vinho no bar da esquina.










Dirigido pelo veterano cineasta italiano Ermmano Olmi, baseado na novela escrita em '39 pelo novelista austríaco Joseph Roth, "The Legend of the Holy Drinker" (título internacional) é um drama espiritual sobre a demanda de um homem que apesar de atravessar tempos difíceis, resta-lhe a honra e a dignidade como código sobre o qual rigorosamente vive. 





A história é-nos apresentada como uma peça teatral mundana e realista, em que acompanhamos o dia-a-dia do protagonista e todas as situações (algumas caricatas) em que se vê metido no percurso de ir cumprir a promessa feita a quem acreditou nele. 





Olmi, auxiliado pela soberba cinematografia do conceituado Dante Spinotti, opta por filmar Paris durante o Inverno, numa altura incerta enaltecendo assim a aura de mistério na fronteira do real com o irreal que embala em pálidos contornos todo o ambiente da obra.





A história é simples, mas cativante do modo como nos é contada e apesar do ritmo algo inerte, arrastado e demasiado descritivo, característico do cinema "artsy" europeu, as diversas surpresas injectadas na trama, captam por completo a atenção do espectador, seduzido pelo mundo decadente, porém interessante do protagonista. 





Rutger Hauer tem aqui um dos melhores desempenhos da sua carreira, carregando o filme nos ombros como o sôfrego alcoólico sem-abrigo, fugindo do próprio passado, penando pelo presente numa demanda de encontrar a sua paz espiritual.





Karoline (Sophie Segalen)

A performance é assombrosa: o seu lado demasiado sensível que o leva a uma inocência quase infantil, aliado a uma conduta digna apesar de vagabundo errante com os constantes flashbacks a darem as pistas necessárias ao espectador sobre o seu passado, levando a diversas situações comoventes ao longo da sua jornada.




Gaby (Sandrine Dumas)

A riqueza do desempenho de Hauer deve-se em muito à sólida caracterização presente do guião e à excelente direcção do realizador. O elenco secundário em pequenos papéis é bastante competente, ocupando de modo efectivo os seus lugares na trama destacando-se a bela actriz francesa Sandrine Dumas como a dançarina de Casino que Hauer encontra na pensão; 





o "character actor" Dominique Pinon ("Delicatessen" de '91) como o seu antigo colega de trabalho e o veterano actor inglês Anthony Quayle ("The Guns of Navarone" de '61) na pele do distinto cavalheiro, aqui num dos seus últimos desempenhos antes de nos deixar em '89.





Em suma, "The Legend of the Holy Drinker" é um conto simples e terno que se torna complexo perante todos os desafios morais apresentados na demanda de Hauer de cumprir a promessa feita a um bondoso estranho, que mais não é que a busca pela sua própria redenção. 





Não sendo um filme para todos, especialmente para fãs do cinema de acção e entretenimento habituais deste actor, é um tesouro escondido no meio de toda a filmografia de Rutger Hauer nos anos 80. Esta sua performance podia tê-lo levado a voos mais altos (e completamente merecidos), 





mas o filme foi completamente marginalizado nos E.U.A., apesar de premiado em diversos festivais europeus, perdendo-se assim um auspicioso Rutger Hauer como um dos melhores actores dramáticos da sua geração, para um Rutger Hauer, herói da acção e de ficção científica, rei do trash série-B directo para vídeo no qual se tornou a sua carreira a partir de início dos anos 90...



Género: Drama. 

Fotografia: Côr.

País: Itália / França.

Duração: 127 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=40W655AnIWU

Classificação: 8.5/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.

domingo, 1 de setembro de 2013

Desperate Hours (1990)

"A Noite do Desespero" de Michael Cimino com Mickey Rourke, Anthony Hopkins, Mimi Rogers, Lindsay Crouse, Kelly Lynch, Elias Koteas, Shawnee Smith, Danny Gerard, Dean Norris & David Morse.

O psicótico Michael Bosworth (Mickey Rourke), escapa do tribunal aonde estava a ser julgado por homicídio com a ajuda da sua advogada, Nancy Breyers (Kelly Lynch) de quem é amante, deixando-a para trás durante a fuga. Reúne-se com os seus comparsas, Wally (Elias Koteas), o seu irmão mais novo e Albert (David Morse) e tomam como reféns os Cornell, uma família disfuncional dos subúrbios, permanecendo em casa dos mesmos até contactarem Nancy. Ao mesmo tempo a detective Brenda Chandler (Lindsay Crouse) encarregada do caso, coage a advogada a trair Bosworth levando a polícia a ele, prometendo ilibá-la da acusação de cumplicidade. Conforme o tempo passa, a tensão dentro da casa dos Cornell aumenta, quando o chefe da família Tim (Anthony Hopkins) entra em colisão com Bosworth no intuito de proteger a mulher Nora (Mimi Rogers) e os filhos de ambos, a adolescente May (Shawnee Smith) e o pequeno Zack (Danny Gerard) com os próprios comparsas a entrarem em desacordo com as acções do líder. Juntos, sequestradores e reféns, irão viver um conjunto de horas desesperadas...



Mickey Rourke como Michael Bosworth

Remake do filme homónimo dirigido em '55 por William Wyler com Humphrey Bogart e Fredric March, "Desperate Hours" é a quarta colaboração do realizador vencedor de 2 Oscares, Michael Cimino com o seu actor-fétiche, Mickey Rourke interpretando aqui o papel do assassino psicótico evadido desempenhado por Bogart na obra original 






Nora (Mimi Rogers) & Tim Cornell (Anthony Hopkins)




com Anthony Hopkins sucedendo a March como o chefe da família dos subúrbios obrigado a lidar com a situação do sequestro da sua família. 











Baseado na novela de Joseph Hayes, transformada em peça teatral na famosa Broadway durante os anos 50, que também assinou o argumento em parceria com Lawrence Konner e Mark Rosenthal, "Desperate Hours" é um thriller psicológico com misto de drama e policial, carregado por um forte elenco 




e uma soberba cinematografia de Douglas Milsome que enaltece as belíssimas paisagens do Utah de início do Outono. 









Kelly Lynch como Nancy Breyers

O trabalho de câmara em certas cenas lembra o cinema de Brian De Palma, um dos mais fiéis seguidores do estilo de Hitchcock, a que Cimino presta homenagem em toda a misteriosa sequência da abertura do filme, com a voluptuosa loira Kelly Lynch, ao jeito de uma "femme fatale" saída de uma das películas do lendário realizador. 




Wally Bosworth (Elias Koteas) & May Cornell (Shawnee Smith)

Contudo, "Desperate Hours" apesar de toda qualidade técnica e visual envolvida, sofre de algumas falhas a nível de coesão do enredo, especialmente nos motivos de certos personagens para algumas das suas acções no decurso da trama 







e a continuidade é sofrível (notável na barba de dois dias de Rourke numa cena e na ausência da mesma na cena imediatamente a seguir e, sobretudo no jeito dado ao pompadour característico do actor). 







A direcção de Cimino consegue introduzir eficazmente o forte sentimento de desconfiança e tensão dentro da casa, porém falha na parte da inclusão do suspense necessário a uma obra deste género. 







O elenco é comandado pelo sempre ultra-carismático Mickey Rourke, que recebeu aqui a idiótica nomeação ao Razzie de Pior Actor do Ano, desempenhando o papel do elegante manipulador, oportunista e sociopata Michael Bosworth com a intensidade do seu Stanley White de "Year of the Dragon" (também dirigido por Cimino em '85), mas do outro lado da lei. 





Numa altura em que Rourke estava desmotivado com a representação, prescindindo da carreira de actor em prol do boxe um par de anos depois, o seu Michael Bosworth foi um favor para o amigo de longa data Cimino que o revelou no infame "Heaven's Gate" ('80) e apesar desta sua performance estar longe dos seus melhores momentos é sólida e efectiva, assegurando aquele toque de classe e força ao filme. 





Ao seu lado, Hopkins é Hopkins, sempre soberbo, com as cenas de antagonismo que partilha com Rourke a serem um deleite de se visionar estes dois "monstros sagrados" da representação a competirem.








David Morse como Albert

Mimi Rogers, Elias Koteas e sobretudo, o sempre subestimado David Morse estão muito bem nos papéis secundários. 











Em contrapartida, o restante elenco feminino carece de uma direcção activa e coesa do realizador com Kelly Lynch no papel ingrato da subjugada advogada que passa a maior parte do tempo com os seios de fora e a ser maltratada pelos restantes personagens; 






Lindsay Crouse como Detective Brenda Chandler



Shawnee Smith, terrível como a filha mais velha dos Cornell, numa performance exagerada ao cúmulo do irritante, levando o espectador a sentir mais empatia pelos sequestradores do que pela sequestrada e, sobretudo Lindsay Crouse, geralmente sólida nos seus desempenhos, aqui completamente fora de ordem e plástica como a autoritária detective Chandler.





"Desperate Hours" foi arrasado pela crítica aquando a estreia, tornando-se assim um fracasso de bilheteiras que acentuou ainda mais o declínio do fenomenal Michael Cimino, que de realizador-prodígio do brilhante "The Deer Hunter" ('78) com todas as portas abertas em Hollywood, 








tornou-se personna non grata depois do colossal falhanço do incompreendido "Heaven's Gate" e serviu como início do fim da carreira de Rourke como actor de lista A.









Em suma, "Desperate Hours" não é um grande filme nem objecto de destaque para as carreiras de Cimino, Rourke ou Hopkins, mas é muito mais do que aquilo que a crítica o reduziu. O ritmo é intenso e arrebata o espectador; a trilha sonora de David Mansfield, negativamente criticada, é efectiva e única no contraste com o tom do filme, fugindo assim ao cliché habitual do género e o filme possui um conjunto de sequências memoráveis suficientes (a fuga do tribunal; a perseguição da polícia a David Morse e, sobretudo o clímax à la Rourke) para mais de hora e meia bem passada.







Género: Thriller / Crime / Drama.

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 105 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=-j0qP_rH7mE

Classificação: 7.5/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.
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