Translate

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Jennifer Eight (1992)

"Jennifer 8" de Bruce Robinson com Andy Garcia, Uma Thurman, Lance Henriksen, Graham Beckel, Kathy Baker, Kevin Conway, Perry Lang, Paul Bates, Michael O'Neill, Bob Gunton, Lenny Von Dohlen, Nicholas Love & John Malkovich.

John Berlin (Andy Garcia) é um polícia de L.A. recém-divorciado transferido para a pequena cidade de Eureka em Nova Inglaterra, ficando aos cuidados do seu ex-mentor da polícia, Freddy Ross (Lance Henriksen). Na sua primeira ocorrência, e depois de encontrarem uma mão decepada numa lixeira, Berlin resolve investigar a fundo reabrindo um caso antigo de código "Jennifer" sobre 7 raparigas cegas assassinadas num condado vizinho por um serial-killer que nunca foi capturado. O Departamento, incluindo o velho amigo Ross, não acreditam na ligação da mão encontrada aos crimes ocorridos anos antes, passando a demanda de Berlin a ser ostracizada por toda a força policial. A sua radical investigação leva-o a um Instituto para Cegos onde desapareceu a última vítima, travando conhecimento com a professora de música invisual Helena Robertson (Uma Thurman) a sua única testemunha, mas que infelizmente não pode identificar o assassino. Tudo se complica quando Berlin e Helena se envolvem amorosamente, ao mesmo tempo que o Detective John Taylor (Graham Beckel), o ex-encarregado do caso com quem Berlin colide na Força, expõe a testemunha na imprensa tornando-a num possível alvo a abater pelo assassino das sombras. Conseguirá John Berlin evitar que a sua amada Helena se torne na "Jennifer 8" ?




Thriller de mistério de Bruce Robinson (realizador inglês autor do filme-de-culto "Withnail & I" de '87), "Jennifer 8" é a tentativa de americanizar o célebre cinema giallo italiano servido de um ambiente "small town vibe" glorificado pela fascinante cinematografia do conceituado Conrad L.Hall (vencedor de 3 Oscares). 




Andy Garcia como John Berlin



O tom da obra é algo depressivo, apresentado no clima chuvoso, húmido e nublado aonde se situa a trama e os nossos personagens se movem, com um John Berlin, interpretado por Andy Garcia promovido ao próximo protagonista de Hollywood depois da sua nomeação ao Oscar por "The Godfather - Part III" ('90), 




Chefe Citrine (Kevin Conway)



na pele do polícia radical e incorruptível na descoberta da verdade (ainda ecoando ao seu algo similar personagem de "Internal Affairs" de '90) que persegue um assassino em série que ninguém sabe ao certo se realmente existe. 






Uma Thurman como Helena Robertson




O guião do próprio Bruce Robinson é interessante no desenvolvimento dos personagens e nos detalhes subliminares apresentados, mas acaba por cair demasiado na fórmula do genérico thriller de mistério já diversas vezes levado ao ecrã e com melhores resultados. 





Lance Henriksen como Freddy Ross



A tentativa de tornar o próprio protagonista John Berlin como o suspeito induzido (ou "red herring" para os cinéfilos fãs do "giallo") cai por terra logo no I Acto quando a trama não nos apresenta motivos que o sustentem, entrando por um caminho complexo de narrativa repleto de contradições e incoerências. 








O ritmo é lento e demasiado arrastado, que apesar da sintonia com o ambiente taciturno da obra, cuja melancólica e efectiva trilha sonora de Christopher Young lhe assenta como uma luva, não foge ao estigma do longo e algo enfadonho enchimento com diversas cenas escusadas e uma montagem não muito feliz que originou os inevitáveis buracos na narrativa e algumas falhas de continuidade. 




John Malkovich como St.Anne

Contudo, algumas sequências são magistralmente bem dirigidas por Robinson com especial destaque para a cena do interrogatório que opõe John Malkovich, num cameo alargado como o polícia dos polícias St.Anne, e Andy Garcia, muito bem interpretada pelos dois actores em total controlo dos seus personagens. 






A bela Uma Thurman, numa das suas últimas performances pré-fama de "Pulp Fiction" ('94), está credível e deliciosamente frágil como a professora invisual em apuros que nas cenas de nudez é substituída por uma óbvia dupla que em nada se assemelha à actriz 





e os grandes actores de personagens-tipo: Lance Henriksen e Kathy Baker como Freddy & Margie Ross elevam qualquer filme em que participem a um estatuto superior.








O clímax é-nos apresentado demasiado abrupto (e um pouco inverosímil), terminando o filme logo de seguida, contrastando com o ritmo estabelecido até ali, e deixando no espectador diversas dúvidas e questões.







"Jennifer 8" foi um fracasso de público e crítica aquando a sua estreia em '92, abalando a carreira de Andy Garcia como actor principal que só voltou ao grande ecrã 2 anos depois com "When a Man Loves a Woman" ('94) e deixou o realizador Bruce Robinson, que pensava que com este filme se estabeleceria nos E.U.A., cerca de 20 anos longe de dirigir um filme até o seu regresso com "The Rum Diary" de '11.





Em suma, "Jennifer 8" tem o seu potencial, mas necessitaria de uma revisão no guião e uma montagem mais ritmada para uma obra que escasseia de vida e se perde demasiado pela sua própria premise. 







O leque de bons actores envolvidos em grandes desempenhos e a ânsia na espera pela resolução do mistério, mantém o espectador curioso e interessado na progressão do filme, mas findo isso nada mais sustém uma obra que nada tem de muito memorável que justifique um segundo visionamento...





Género: Thriller / Mistério / Crime / Drama. 

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 124 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=yRIJ57QL7xc

Classificação: 7/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.




quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Hero a.k.a. Accidental Hero (1992)

"O Herói Acidental" de Stephen Frears com Dustin Hoffman, Geena Davis, Andy Garcia, Joan Cusack, Kevin J.O'Connor, Maury Chaykin, Stephen Tobolowsky, Christian Clemenson, Tom Arnold, James Madio, Daniel Baldwin, Susie Cusack, Edward Herrmann, Fisher Stevens & Chevy Chase.

Bernie LaPlante (Dustin Hoffman) é um escroque mal-humorado e azarado, actualmente em tribunal devido à sua actividade ilícita de falsário. A sua ex-mulher Evelyn (Joan Cusack) detesta-o e a única alegria na vida é o filho menor Joey (James Madio) que Bernie, na sua maneira muito peculiar, o prepara para a vida. Gale Gayley (Geena Davis) é uma repórter sensacionalista do Canal 4 que ao voltar de Nova Iorque durante a noite, o avião onde seguia despenha-se, sendo testemunhado pelo rezingão Bernie que agindo sem pensar numa situação de emergência acaba por salvar os mais de 50 passageiros da morte certa, perdendo um sapato pelo caminho e saindo do local de seguida. A heróica façanha do misterioso paladino é tornada pública através de Gale e do Director do Canal 4, Deke (Chevy Chase) que oferecem 1 milhão de dólares para que o mesmo se apresente ao público. Ao mesmo tempo, Bernie é capturado num dos seus negócios ilegais pela polícia à paisana e por ser reincidente é preso, pedindo então clemência ao Juiz para ir cobrar o milhão a que tem direito, quando subitamente um impostor sem-abrigo John Bubber (Andy Garcia) aparece com o sapato que falta, disposto a colectar a recompensa e a ser recebido como o "Anjo do Voo 104"...



Dustin Hoffman como Bernie LaPlante

Comédia dramática do realizador inglês Stephen Frears (vindo do sucesso "The Grifters" de '90) apresenta-nos um Dustin Hoffman na pele de um escroque mal-disposto e egocêntrico, incapaz de uma única boa acção consciente na vida, excepto no meio de uma emergência em que o seu lado bom vem ao de cima, acabando por se arriscar em prol dos outros. 



Geena Davis como Gale Gayley

O guião do argumentista de renome David Webb Peoples baseado numa história sua em parceria com Laura Ziskin e Alvin Sargent presta homenagem às comédias ligeiras de Frank Capra dos anos 30 e 40, ao mesmo tempo que serve como uma sátira ao sensacionalismo dos média, introduzindo uma crítica à sociedade sobre a glorificação cega do herói impingido e fazendo ainda uma análise à natureza humana pelo meio. 





Chevy Chase como o Director Deke

Contudo, "Accidental Hero" aplica a fórmula de um "Hollywood movie" de entretenimento, não aspirando a demasiado pretensioso de querer atingir um nível de profundidade na mensagem que pretende passar, resultando assim num filme leve, divertido e fácil de seguir, embora possa ser demasiado politicamente correcto para alguns gostos. 





Andy Garcia como John Bubber

Dustin Hoffman está muito bem como Bernie LaPlante, carregando o filme nos ombros numa performance misto de trágico e hilariante, lembrando por vezes o seu célebre personagem Ratso Rizzo do clássico, e para o qual foi nomeado para 1 Oscar, "Midnight Cowboy" ('69). 





Tom Arnold como Chick

Os seus maneirismos, o discurso azedo, o cinismo na entrega dos diálogos e a linguagem corporal enriquecem um personagem que faz o espectador detestar e amar ao mesmo tempo, fruto de uma grande criação do talentoso actor. 










Geena Davis, a colaborar pela segunda vez com Hoffman desta vez promovida a co-protagonista depois da sua estreia no cinema com "Tootsie" ('82) e Andy Garcia, completam o trio central do filme que dispõe ainda do comediante Chevy Chase, num papel não creditado, como o Director da Estação que tudo faz pelas audiências e a sempre agradável de se seguir, Joan Cusack como a ex-mulher de LaPlante.





Joey & Evelyn LaPlante (James Madio & Joan Cusack)

"Accidental Hero" (ou "Hero" somente no mercado americano) teve pouca aderência às salas de cinema devido à fraca recepção da crítica que arrasou, injustamente, o filme alegando não estar à altura da sua premise. 








Como uma obra filosófica que nos põe a matutar depois do filme ter terminado, de certo que este filme não está a altura de tais parâmetros, mas vê-lo como um bem intencionado filme de domingo à tarde capaz de nos por um sorriso nos lábios e de arrancar umas boas doses de gargalhadas com certos diálogos de Hoffman, fazendo-nos sentir bem-dispostos no final, vale a pena as suas quase duas horas de duração. A ver pelo menos uma vez !!



Género: Comédia / Drama. 

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 117 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=jIfHz6PCuaM

Classificação: 7/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Platoon (1986)

"Os Bravos do Pelotão" de Oliver Stone com Tom Berenger, Willem Dafoe, Charlie Sheen, Forest Whitaker, Francesco Quinn, Richard Edson, Kevin Dillon, John C.McGinley, Keith David, Reggie Johnson, Mark Moses, Johnny Depp, Chris Pedersen, Corey Glover, Bob Orwig, Corkey Ford, David Neidorf, Paul Sanchez, J.Adam Glover, Tony Todd, Chris Castillejo, Kevin Eshelman, Ivan Kane, Dale Dye & Oliver Stone.

Chris Taylor (Charlie Sheen) é um jovem ingénuo, mas idealista de classe média-alta que desiste da Faculdade para se alistar no Vietname, achando que não devem ser só os pobres chamados para combater. Depois de chegar constata que se alistou para um inferno na terra, em que os soldados veteranos não respeitam os novos até terem dado provas sérias em combate. O seu pelotão é comandado por dois homens: o irascível e temerário Sargento Bob Barnes (Tom Berenger), um homem amargurado que acredita na Guerra e o mais pacífico e harmonioso Sargento Elias Grodin (Willem Dafoe), que ao fim de uma comissão de 3 anos já põe em causa o significado de tudo. Após uma emboscada na selva que lhes custam 3 homens, o pelotão liderado por Barnes efectua um ataque a uma aldeia de indígenas matando ilegalmente acusando-os de pactuar com os vietcongs, levando Elias a revoltar-se contra o enlouquecido sargento, dividindo assim os bravos do pelotão. Preso a uma lealdade por Elias, apesar de admirar Barnes, o jovem Chris constata que o seu pelotão batalha em 2 conflitos: um contra o inimigo e outro contra eles mesmos...



Charlie Sheen como o Soldado Chris Taylor

Esplêndida e realista obra de Oliver Stone com uma forte mensagem anti-guerra, "Platoon" é o essencial filme sobre a guerra do Vietname, escrita e dirigida por um veterano da mesma, baseando-se parcialmente em experiências suas vividas em campo de batalha 





e que com ajuda do conselheiro militar Dale Dye (que tem uma pequena participação no filme como o Capitão Harris) transporta para o ecrã a emocionante jornada de um pelotão que luta contra os próprios conflitos internos, enquanto combate o inimigo nas densas selvas do Vietname e do Cambodja. 




O genial e quase documental argumento vai direito ao assunto, mostrando-nos a chegada de Chris Taylor (solidamente interpretado por um Charlie Sheen na sua melhor hora cinematográfica) ao "inferno na terra" como é por ele designado, passando logo de seguida para a sua primeira missão de mato, 




Kevin Dillon como o Soldado "Bunny"

aonde este jovem ingénuo se depara com as hierarquias dentro do pelotão constituído por um grupo de jovens como ele, mas sem eira, nem beira, a maioria vinda de ambientes pobres que foram ensinados a lutar e a matar, deixando à muito para trás a sanidade e a razão. 





A partir daí a história é-nos apresentada como relatos de várias missões do pelotão, guiadas pela voz off de Chris Taylor, que do incrédulo inicial, e à medida que o seu tempo de serviço vai passando e se deparara com os diversos horrores presentes, 





testemunhando em primeira mão a perversa realidade da dualidade humana, a sua própria sanidade é posta em causa, enquanto caminha lentamente para um esgotamento nervoso.









A acompanhar Charlie Sheen está um duo de actores em magníficos desempenhos que Oliver Stone soube tão bem e de modo inteligente dirigir, moldando-os para actuarem contra o próprio estereótipo 








Willem Dafoe é o Sargento Elias Grodin

com o até aqui sempre mau-da-fita Willem Dafoe interpretando o bondoso Sargento Elias e o herói galã Tom Berenger na pele do odioso Sargento Barnes. 










Tom Berenger é o Sargento-em-Chefe Bob Barnes

Se a personagem de Charlie Sheen é o coração do filme, Berenger e Dafoe ocupam cada pulmão, com o antagonismo entre ambos a estabelecer a tensão patente, dividindo assim o pelotão daqueles que seguem a guerra à risca e acham haver uma desculpa para todos os crimes relacionados como por vingança dos companheiros caídos em combate 






e aqueles cuja selva ainda não corrompeu totalmente, possuindo ainda uma réstia de humanidade e um senso de diferenciar os habitantes locais, que tal como eles são meras vítimas de uma guerra decretada por outros. 






Berenger e Dafoe foram merecidamente nomeados para os Oscares de Melhor Actor Secundário, que infelizmente perderam por ambas as performances serem tão fortes que acabaram por se eliminar um ao outro da corrida. Contudo, Berenger venceu o Golden Globe. 




John C.McGinley como o Sargento O'Neill

O restante elenco escolhidos a dedo oferecem-nos grandes e icónicas performances na pele dos bravos do pelotão com especial destaque para Kevin Dillon como o sanguinário Bunny; Francesco Quinn como o místico Rhah; John C.McGinley como o engraxador Sargento O'Neill e Keith David como o astuto King, o melhor amigo do protagonista Chris Taylor. 



Johnny Depp como o Soldado Lerner

A futura super-estrela Johnny Depp, aqui no seu terceiro filme, tem um pequeno papel como Lerner, aparecendo em grande plano como o tradutor de Barnes na aldeia.









Tecnicamente, "Platoon" apesar do orçamento moderado, oferece-nos um espectáculo visual único de batalha no terreno, filmado de uma maneira por Stone que usa o espectador como um dos soldados do pelotão, fazendo-nos sentir a emoção, o medo e a adrenalina de combater o inimigo, sem sabermos se seremos os próximos a tombar. 



Keith David como o Soldado King

A cinematografia de Robert Richardson (nomeada para 1 Oscar) é um pesadelo visual inesquecível acompanhada pela fascinante trilha sonora de Georges Delerue. 





A nível de encenação, "Platoon" possui das sequências mais memoráveis de sempre num filme de guerra, com um lote das mesmas a fazerem obrigatoriamente parte da história cultural cinematográfica, como toda a sequência da vila, magistralmente interpretada por Berenger no auge da loucura que o leva ao confronto físico com Dafoe 




e à sua posterior vingança contra o mesmo que culmina na cena mais emblemática e arrepiante do filme, em que um quase moribundo Dafoe é perseguido na selva, perecendo pelas balas inimigas antes que haja hipótese de ser salvo.






"Platoon" foi ainda nomeado em '87 para o Oscar de Melhor Argumento Original e venceu nas categorias de Melhor Som; Melhor Montagem para Claire Simpson; Melhor Realizador para Oliver Stone e Melhor Filme do Ano.







Francesco Quinn como o Soldado Ramucci

Em suma, "Platoon" é um dos filmes mais realistas sobre o pesadelo da Guerra e os seus efeitos colaterais, repleto de cenas pesadas e arriscadas para a altura servidas em efeito de chapada na cara às audiências (sobretudo as americanas), partindo de um intenso guião de Stone recheado de maneirismos,





calão e termos técnicos nos diálogos que mesmo que por vezes possa confundir um espectador não muito familiar com o assunto, fá-lo pertencer na segurança do cinema ou do lar àquele pelotão, permitindo-nos analisar, emocionar e até chocar numa viagem alucinante à selva do Vietname em finais dos anos 60...



Género: Guerra / Acção / Drama. 

Fotografia: Côr.

País: E.U.A. / Inglaterra.

Duração: 120 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=pPi8EQzJ2Bg

Classificação: 10/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...