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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Evil Dead II - Dead by Dawn (1987)

"A Morte Chega de Madrugada" de Sam Raimi com Bruce Campbell, Sarah Berry, Dan Hicks, Kassie Wesley, Denise Bixler, Richard Domeier, John Peakes, Lou Hancock & Theodore Raimi.

O balconista Ashley "Ash" Williams (Bruce Campbell) leva a namorada Linda (Denise Bixler) para uma cabana isolada nas montanhas para usufruírem de momentos românticos a dois. Ao cair da noite, "Ash" encontra um velho gravador e ao correr a fita descobre que a cabana era o local de pesquisa do Dr.Raymond Knowby (John Peakes) e da sua esposa Henrietta (Lou Hancock) ao secular "Livro dos Mortos" cuja lenda diz ter sido encadernado em carne humana e escrito com sangue e ao serem proferidos os encantos Sumérios traduzidos do livro, despertam os demónios adormecidos da floresta que possuem Linda e tentam apanhar "Ash". Enquanto o isolado herói relutante tenta arranjar uma solução para vencer o Mal, Annie (Sarah Berry), a filha dos Knowby acompanhada pelo assistente do pai Ed Getley (Richard Domeier) e um duo de guias saloios Jake (Dan Hicks) e Bobby Joe (Kassie Wesley), rumam na direcção da cabana para se juntarem aos arqueólogos na pesquisa, não imaginando na alucinante noite de horror com a qual se vão deparar...


Bruce Campbell regressa como Ashley "Ash" J.Williams

Com o sucesso junto da crítica e o êxito alcançado no mercado vídeo com "The Evil Dead" ('81) que o tornou filme-de-culto e depois do pouco sucesso do thriller policial de comédia e horror "Crimewave" ('85), 






o realizador Sam Raimi, o produtor Robert G.Tapert e o protagonista Bruce Campbell deitaram mãos à obra para uma sequela das aventuras de "Ash" contra o Mal, novamente escrita por Raimi desta vez em parceria com Scott Spiegel, um fã incondicional dos "The Three Stooges" que incorporaria doses desse género de comédia arlequinada no guião. 



Linda (Denise Bixler)

O Mestre do Horror Stephen King que adorou o primeiro filme, conseguiu convencer o prestigiado produtor italiano Dino De Laurentiis, especialista em filmes de fantasia, ficção científica e horror, a investir nesta segunda parte aumentando assim o orçamento em relação ao filme original, embora seja considerado parco em relação às produções dos grandes estúdios de Hollywood. 



"Ash" & Annie Knowby (Sarah Berry)

Mas como a criatividade, virtuosidade e sobretudo, a fantástica imaginação da equipa da Renaissance Pictures valem mais do que uma fortuna nas mãos de incapazes, "Evil Dead II - Dead by Dawn" é uma das poucas sequelas que consegue ainda assim superar o brilhantismo do antecessor, 





providenciando-nos desta vez uma espalhafatosa comédia negra de horror e fantasia, dando uso a um magistral, peculiar e inventivo trabalho de câmara de Raimi em parceria com o cinematógrafo Peter Deming e uma criativa encenação de comédia física e burlesca através do excelente trabalho de representação do para sempre subestimado Bruce Campbell, 




que retorna ao seu papel de Ashley "Ash" Williams, desta vez muito menos comedido, mais espirituoso e extrovertido e em hilariante modo de herói canastrão, colhendo as influências do seu papel secundário de Renaldo "The Heel" do anterior filme de Raimi, "Crimewave" e que seria para sempre a sua imagem de marca no cinema. 






Os efeitos visuais e de caracterização, devido ao montante maior investido e ao avanço da técnica, estão muito superiores ao primeiro filme, mas mantêm-se numa mesma linha "cheesy" evocando o série-B e nunca esquecendo as origens mais humildes do filme original.



Annie Knowby; Jake (Dan Hicks); "Ash" & Bobby Joe (Kassie Wesley)

De regresso está também o usual colaborador de Raimi, o compositor Joseph LoDuca, responsável pela trilha sonora e Kaye Davis a cargo da enérgica e truculenta edição de imagem que injecta um ritmo alucinante no filme. 




A eterna questão se "Evil Dead II - Dead by Dawn" é uma sequela ou um remake do primeiro filme, Raimi deixa a resposta dúbia ao espectador, mas o principal motivo porque o prefácio é ligeiramente diferente, 





deve-se ao facto dos direitos de autor sobre o filme original estarem na posse de outro Estúdio, pelo que Raimi teve que recontar a história do primeiro filme, filmando-a novamente, 






omitindo os restantes 3 personagens por questões de tempo e improvisando algumas situações como Linda (com Denise Bixler a substituir Betsy Baker) a dançar na sala, enquanto "Ash" toca piano. 







Seja uma sequela não-linear ou um remake de orçamento maior do primeiro filme, o que é certo é que "Evil Dead II - Dead by Dawn" superou todas as expectativas criadas em torno dele, com um Sam Raimi na sua melhor hora cinematográfica, 





oferecendo-nos uma das mais significativas e inspiradas obras dentro do série-B que abraça efectivamente diversos géneros de cinema, 








resultando num esplêndido produto final de hora e meia de entretenimento em ritmo vertiginoso e alucinante de pura loucura burlesca de horror como se uma banda desenhada ganhasse vida. Recomendado como uma autêntica obra-prima do seu género de cinema!!!




Género: Horror / Comédia / Fantasia. 

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 84 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=pR5_p9th6ok

Classificação: 10/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.




The Evil Dead (1981)

"A Noite dos Mortos-Vivos" de Sam Raimi com Bruce Campbell, Ellen Sandweiss, Richard DeManincor (Hal Delrich), Theresa Tilly (Sarah York), Betsy Baker & Bob Dorian.

Ashley (Bruce Campbell) acompanhado da namorada Linda (Betsy Baker), da irmã Cheryl (Ellen Sandweiss) e de um casal amigo Scott (Hal Delrich) e Shelly (Sarah York) chegam a uma cabana isolada situada no meio das montanhas para um fim de semana de divertimento. Ao cair da noite, Cheryl começa a ouvir estranhas vozes oriundas da floresta que pedem para que se junte a eles. Quando a meio do jantar, o alçapão que dá para a cave se abre inexplicavelmente, Ashley e Scott resolvem investigar, encontrando um velho livro e um gravador que trazem para o andar de cima. Ao correrem a fita descobrem que a cabana foi o retiro de um arqueologista (voz de Bob Dorian) e da sua mulher que encontrou o chamado Livro dos Mortos numas escavações, e ao proferir as encantações Sumérias lá descritas, liberta os demónios adormecidos na floresta dando-lhes a permissão para possuírem os vivos. E assim será o começo de uma horripilante noite, em que as forças do mal não descansarão enquanto não possuírem cada membro do grupo...




Quando em retrospectiva se mencionam as obras mais influentes do cinema de horror pós-clássico, filmes como "The Exorcist" ('73) ou "The Texas Chain Saw Massacre" ('74) entram de imediato no pódio, 







Bruce Campbell como Ashley "Ash" J.Williams



mas que de modo algum ficaria completo sem a inclusão do "The Evil Dead" a genial primeira obra de Sam Raimi, um dos mais inventivos realizadores saídos da década de 80. 









Produzido pela sua produtora independente Renaissance Pictures em baixo-orçamento, com uma equipe técnica constituída maioritariamente de amigos de longa data e colegas da Faculdade de Cinema onde se destacam o produtor Robert G.Tapert; 





o actor principal e produtor Bruce Campbell; o compositor Joseph LoDuca e um pré-fama Joel Cohen, aqui como assistente de edição de imagem, que acompanhariam para sempre Raimi na sua jornada cinematográfica, 



"Ash"; Linda (Betsy Baker); Cheryl (Ellen Sandweiss); Scotty (Hal Delrich) & Shelly (Sarah York)



"The Evil Dead" é um fantástico, assustador, arrepiante e psicologicamente fatigante filme de horror, que presta a devida homenagem aos clássicos do género ao mesmo tempo que inova toda uma forma de fazer cinema através do efectivo clima horripilante criado




aliado a um fabuloso e criativo trabalho de câmara de Raimi com o cinematógrafo Tim Philo e uma encenação de topo, destacando-se a genial direcção dos actores, na sua maioria amadores, na representação física aquando possuídos pelas entidades malignas. 





Os efeitos visuais e de caracterização de Tom Sullivan, e embora possam ser considerados ultrapassados para os parâmetros actuais, foram um prodígio de criatividade e execução para a altura dado o orçamento envolvido, contribuindo para o factor "cheesy" da obra, funcionado como um autêntico tesouro da época. 







Apesar da aparente ausência da comédia que seria explorado em grande força nas sequelas, Raimi introduz subtilmente traços de humor negro que se tornam evidentes ao fim de algumas visualizações, 







rompendo assim com o dito popular da seriedade absoluta do primeiro filme em contraste com o espirituoso "Evil Dead II - Dead by Dawn" ('87) ou o extrovertido e espalhafatoso "Evil Dead III - Army of Darkness" ('92). 






Todas as geniais sequências em câmara rápida do ponto de vista do Mal na floresta com especial destaque para o magistral clímax, não só foi inventivo e inovador para o género como por diversas vezes copiado, mas nunca igualado. 









Bruce Campbell, amigo desde os tempos do liceu de Sam Raimi e depois de ter participado nas primeiras curtas-metragens do realizador, assume aqui a protagonização 






(e produção e ajudando na parte técnica do set, quando não estava em cena) na sua estreia em cinema como o relutante herói Ashley "Ash" Williams criando tal sucesso junto dos fãs dos filmes-de-culto que lhe lançou a carreira como um dos actores-fétiche do género. Apesar de ainda contido na sua primeira aparição como "Ash", Campbell solta as primeiras faíscas do personagem canastrão e sarcástico que exploraria em pleno nos filmes seguintes. 





Do restante elenco, destaca-se Ellen Sandweiss como Cheryl Williams, a primeira do grupo possuída pelos demónios da floresta, e a que participa na infame cena de violação pelas ervas daninhas possuídas que foi considerada misoginia por grande parte da crítica da altura, mas um dos maiores exemplos do tal humor negro subtilmente introduzido por Raimi referido acima.





Filmado no local numa cabana abandonada do condado de Morristown no Tennessee com as cenas na cave da casa filmadas na quinta dos pais do produtor Robert G.Tapert no Michigan e a garagem ser a da casa do próprio Sam Raimi, com os truques de mestre na brilhante edição de imagem, tudo parece realmente interligado como se filmado no mesmo sítio dando o realismo aos cenários. 





A título de curiosidade, o orçamento da película esgotou-se por alturas do Inverno de '80, obrigando a equipe técnica a parar temporariamente e alguns dos actores abandonaram inclusive o set.







Com apenas metade da obra filmada, Raimi, Campbell e Tapert tiveram que exaustivamente conseguir o resto do dinheiro, desde pedindo empréstimos ao banco; hipotecar as próprias casas e até investimentos de amigos pessoais para conseguirem concluir "The Evil Dead", 




e quando finalmente as filmagens recomeçaram e devido à ausência de alguns actores, elementos da equipe técnica tiveram de passar para a frente das câmaras como substitutos dos mesmos, alcunhados por Raimi de "fake shemps", uma designação que seria para sempre parodiada nos filmes do realizador.






Em suma, "The Evil Dead" é o essencial filme de horror de entretenimento sobre possessões demoníacas e um marco do sub-género que mais de 30 anos depois ainda é tido como uma das mais influentes e inovadoras obras já saída de uma produção independente. 



Género: Horror.  

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 85 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=GU92dtYrF9I

Classificação: 9.5/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

The People Under the Stairs (1991)

"Prisioneiros da Cave" de Wes Craven com Brandon Quintin Adams, Everett McGill, Wendy Robie, A.J.Langer, Sean Whalen, Kelly Jo Minter, Bill Cobbs, Jeremy Roberts & Ving Rhames.

Fool (Brandon Quintin Adams) é um adolescente afro-americano que vive num apartamento com péssimas condições no ghetto e como se não bastasse a mãe está a morrer de cancro. Aliciado pelo escroque Leroy (Ving Rhames), um amigo da sua irmã mais velha, Fool resolve alinhar num assalto à velha casa dos excêntricos e avarentos senhorios (Everett McGill & Wendy Robie) na ânsia de roubarem uma valiosa colecção de moedas raras, mas nenhum deles estava preparado para o sinistro segredo que se esconde para lá da escuridão da cave...





Alice (A.J.Langer)

Escrito e dirigido por Wes Craven ("A Nightmare on Elm Street" de '84), uns anos antes de atingir o sucesso ao ressuscitar o slasher para a década de '90 com "Scream" ('96), "The People Under the Stairs" foi concebido depois de Craven ter sido afastado pelos produtores do filme "Flowers in the Attic" ('87) por acharem que o seu guião adaptado da novela de V.C.Andrews tinha um conteúdo chocante demais para o público-alvo que pretendiam atingir. 










Daddy (Everett McGill)

Juntando novamente Everett McGill e Wendy Robie como um excêntrico casal, depois de desempenharem papéis algo similares na famosa série de David Lynch: "Twin Peaks" ('90), Craven constrói uma obra de terror urbano recheada de humor negro, 






Mommy (Wendy Robie)

piscando o olho ao cinema de culto da exploitation aqui em formato de filme legítimo financiado pela Paramount Pictures, recorrendo ao grotesco e evocando o horror gótico através dos cenários e visuais da velha Mansão. 








Fool (Brandon Quintin Adams)

A particularidade na inclusão de um adolescente afro-americano como protagonista da história torna-o original no sub-género, mas o filme acaba por cair demasiado no estereótipo ghetto rap como forma de aproveitar do recente filão do género musical. 








Roach (Sean Whaley)



Brandon Quintin Adams tem uma performance arisca e decidida como o pequeno Fool, mas A.J.Langer e Sean Whaley roubam o elenco jovem na pele da ingénua Alice e do disforme Roach, duas das crianças prisioneiras na casa. 







Os pais, interpretados por dois excelentes actores de personagens-tipo, são um delírio de seguir em cena com as suas performances caricaturais e levadas ao limite do exagero, mantendo o lado espirituoso da obra bem patente. 






Wendy Robie entrega-nos um misto de Sissy Spacek e da mãe fanática religiosa Piper Laurie no clássico "Carrie" ('76) em versão entre o sério e a paródia, magistralmente bem equilibrado pela actriz 








e Everett McGill desempenha em carne e osso como se um vilão demente saído de uma banda desenhada se tratasse com Craven aos comandos dirigindo uma parafernália espalhafatosa de perseguições pela gigantesca casa repleta de passagens secretas; 





cenas sórdidas; situações sinistras; abusos sugeridos; personagens deformadas e sobretudo gore suficiente que não deixará nenhum fã desiludido. 








Filmado à frente do seu tempo na demanda de ressuscitar um sub-género, "The People Under the Stairs" influenciaria outros cineastas fãs do estilo grindhouse que explodiriam durante a década de 90 e cujas obras se revelariam autênticos êxitos de bilheteira, 





Leroy (Ving Rhames)



nomeadamente Quentin Tarantino cuja semelhança entre o fato sado-masoquista envergado por Everett McGill aqui e o seu Gimp de "Pulp Fiction" ('94) não foi coincidência (ainda mais com a presença de Ving Rhames em ambos os filmes) 






e Robert Rodriguez que criaria um ambiente excessivamente alucinante e de recurso à comédia negra no seu "From Dusk Till Dawn" ('96). 









Em suma, "The People Under the Stairs" é um filme de terror extrovertido que se situa entre um conto de fadas e uma lenda urbana no limiar entre a seriedade e a fantasia, 







providenciando-nos entretenimento garantido na sua pouco mais de hora e meia de duração. Não sendo dos melhores filmes deste realizador, é na certa o melhor que Craven lançou nos anos 90 lado a lado com o primeiro "Scream".







Género: Horror / Comédia. 

Fotografia: Côr.

País: E.U.A.

Duração: 102 minutos.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=CEyQIcuGwDw

Classificação: 7.5/10.

Reviewer: @ Nuno Traumas.
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